INSENSATO E VIL


terça-feira, 8 de janeiro de 2008 | 9:12 am

O desespero sempre entrega algo importante. O fluxo progressivo das sensações corporais deve diminuir pra dar lugar à dança desordenada das idéias livres: soldados carregam uma bandeira americana semi-transparente; uns grossos nervos despolarizam-se fazendo longo caminho entre o estímulo e o reflexo; uma vontade de arrastar as mãos molhadas pelos azulejos brancos do banheiro, pra sentir os limites retos entre cada superfície lisa; o ardor e a sensação trêmula de um choque elétrico do fio desemcapado entre os dedos; uma farpa que penetra a pele e a conseqüente pressão do aperto dos dedos para sair a primeira gota de sangue; o medo de ter perdido a carteira e a sofreguidão de tentar lembrar o que tinha dentro, enfim, imagens e impulsos que ora se mesclam e ora se repelem rapidamente.

Do deserto tem de sair alguma coisa. Um lagarto, um torrão de sal ou bastante sede.

Do desterro sai quem volta aliviado pro país, casa ou cidade.

O desespero sai um estigma de dor e alívio: afinal, o desespero é rápido e intenso.

O susurro da canção em baixa frequência no ouvido denuncia o joguete:


I heard her say over my shoulder
‘we’ll meet again someday on the avenue’:
tangled up in blue





2 comentários para “ INSENSATO E VIL


1
Gostei.
por: Célia
em: 11/01/2008 | 14h36



2
Me fez lembrar do RADIO CAOS….
por: McPhysto
em: 12/02/2008 | 23h55



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