MadCap.com.br é um blog pessoal. Um site onde pensamentos, fotografias, histórias, ilustrações ou qualquer outra coisa sem sentido é postada em uma forma cronológica. Só isso já explica tudo.

Arquivos do dia 21 de outubro de 2008

LS: When a man loves a woman

21 de outubro de 2008

A vida de tradutor de loves song tem lá seus pontos pitorescos. Um aviltado e famoso intérprete sertanejo me pediu para transladar a clássica “When a man loves a woman” da voz sofrida do Percy Sledge e consagrada com um Grammy por Michael Bolton.

Comedido, colocou em um ps no final do bilhete de hotel: “Capricha, R.V. Puxe para a cornice (sic). É o que os meus mal-amados querem ouvir.”

Não podia ser uma tradução dicionaresca. O calorão pedia muito mais fogo e libido. A tradução descambou para a baixaria, mas logrou sucesso nas top 10 sertanejas clássicas de 1988 na cidade de Montividiu-GO:

WHEN A MAN LOVES A WOMANQUANDO MINHA MULHER AMA UM HOMEM
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When a man loves a woman
Quando minha mulher ama um homem
Can’t keep his mind on nothing else
Não consegue manter seu pensamento em mais nada
He’ll trade the world
Ele trocaria o mundo
For the good thing he’s found
Pela coisa boa que encontrou
If she’s bad he can’t see it
Se ela for ruim, eu não consigo sentir
She can do no wrong
Ela nunca faz a coisa certa
Turn his back on his best friend
Ela vira de costas para seu amante
If he put her down
E ele a deita no chão

When a man loves a woman
Quando minha mulher ama um homem
Spend his very last dime
Ele gasta até seu último centavo
Tryin’ to hold on to what he needs
Tentando manter a amante
He’d give up all his comfort
Ele a mima com presentinhos
Sleep out in the rain
Que eu jamais conseguiria dar na chuva
If she said that’s the way it ought to be
Se ela disser que é assim para mim

Well, this man loves a woman
Pois é, ela ama um outro homem
I gave you everything I had
Ele dá tudo o que ela quer
Tryin’ to hold on to your precious love
E tenta preencher tudo que não sou
Baby, please don’t treat me bad
Meu bem, por favor não me trate mal

When a man loves a woman
Quando minha mulher ama um homem
Down deep in his soul
Ele vai fundo nela
She can bring him such misery
Ela pode deixá-lo exausto
If she plays him for a fool
E se ela estiver me traindo
He’s the last one to know
Sou o último a saber
Lovin’ eyes can’t ever see
Meus olhos enamorados nunca enxergam direito

Yes when a man loves a woman
Sim, minha mulher ama outro homem
I know exactly how he feels
Eu sei exatamente como ele deve se sentir
‘Cause baby, baby, baby, you’re my world
Pois meu neném, meu neném, meu neném, você é o meu mundinho

 

Poetas, loucos & roqueiros emos

21 de outubro de 2008

Eu sempre quis conhecer escritores. Acompanhar a boemia  — na mesa anônima ao lado — da patota-bossa-nova das pingaiadas eternas de meio da tarde em Copacabana. Talvez porque todos esses ícones de uma geração que já bateu as botas foram heróis mundanos e enfadonhos com alguma graça perdida.

Encontrar ao vivo gente como Drummond, Pessoa, Bandeira. A chatisse que não devia ser uma roda de conversa deles! Ou então os loucos curitibanos: Trevisan ou Leminski e suas tentativas absortas de poetizar o que não se deve.

Os poetas já se foram. O mundo, dinâmico do jeito que é, colocou no lugar gente que não tem mais essa pegada toda sentimental.

Quem quer saber de um poeta na idade do rock
um cara que se cobre de pena e letras lentas
que passa sábado à noite embriagado
chorando que nem criança a solidão

Quem quer saber de namoro na idade do pó
um romance romântico de Cuba
cheio de dúvidas e desvarios
tal a balada de Neil Sekada

quem quer saber de mim na cidade do arrepio
um poeta sem eira na beira de um calipso neurótico
um orfeu fudido sem ficha nem ninguém para ligar
num dos 527 orelhões dessa cidade vazia

Esse poema acima (‘Desabutino’, do Chacal) é a cara das reações culturais contemporâneas. As músicas estão uma bosta. Letristas, mais cornos que nunca. Literatura, ovalada. Blogueiros, inúteis. Boa poesia, música inteligente e almas intensas, trancafiadas em redutos cada vez mais obscuros.

Conheço uma meia dúzia de bons redutos, socializados de forma honesta. Desses, um é virtual e reúne a excelência experimental da poesia e música em podcasts experimentais. Aliás, os podcasts são broadcasts de uma rádio local. Acesse o Programas Antigos e baixe a coletânea.

Recicle um pouco a sua cultura alternativa. É necessário. E gratuito.