Uma das piores desgraças que pode ocorrer com uma pessoa que se mete no mundo dos blogs é a «fama-repentina-por-uma-sacada-genial».
O camarada acorda um belo dia — inspirado como um Picasso no cio — e resolve reinventar o Gênesis: escreve um texto genial, desenha uma quadrinha hilariante ou cria um infográfico, supertrunfo, mapa de alguma coisa na visão de algum grupo, dicionário-tradutor para algum dialeto da moda ou até mesmo uma youtubada bem-feita.
Publica, com um fio de desconfiança. Manda o link para meia dúzia de amigos que acham graça e estes replicam, em uma espécie de corrente do bem. Duas horas de muita progressão geométrica bastam para realizar o estrago: milhares de comentários, “bandwith exceed”, links e citações matando a pau.
E é ai que o sopro-negro aponta.
O infeliz sente a massagem da fama nos tendões inflamados das juntas e tenta viver como se fosse um músico de um sucesso só.
Vangloria-se de ter marcado um ponto na história da internet.
O problema é que a sociedade virtual — em volta da sua originalidade — pressiona e pressiona por mais pérolas. E o pobre diabo sucumbe. Não consegue mais matar um leão por dia. Era acostumado com petardos e tombapés em jaguatiriquinhas caducas.
Belíssimos blogs morreram assim. Gente boa de outrora venderam a alma aos grandes portais. Blogueiros entram no tapa para garantir a originalidade de piadas públicas. A coisa é patética. E o quibe, cru.

