
Arquivos do mês de outubro de 2008
Informe publicitário
27 de outubro de 2008

Desisti da vida de freelancer. O esforço não vale mais a pena. O mercado de design e publicidade alternativo está muito sujo. Cheio de micreiros-stacattos cobrando menos que prostitutas de rua. E clientes que não entendem o mercado como arte criativa.
Não trabalho mais com criação, nem internet, nem nada. Acabou. Tenho um emprego e o tempo livre dele é para curtir a vida adoidado. Estudar, criar coisas sem fins lucrativos, escrever para blogs, dormir, vadiar, fotografar, gastar sola da bota em cachoeiras de águas transparentes.
Tudo isso sem clientes pressionando, sem o mundo esperando o milagre da recriação.
Como tudo na vida deve ser.
(Claro que sou deveras inconsistente e se você aparecer com uma proposta muito da cretina, envolvendo boa quantia de verba, pouca perspectiva e nenhum compromisso, serei todo seu. Mas não acredito que exista alguém com esse perfil.)
LS: When a man loves a woman
21 de outubro de 2008
A vida de tradutor de loves song tem lá seus pontos pitorescos. Um aviltado e famoso intérprete sertanejo me pediu para transladar a clássica “When a man loves a woman” da voz sofrida do Percy Sledge e consagrada com um Grammy por Michael Bolton.
Comedido, colocou em um ps no final do bilhete de hotel: “Capricha, R.V. Puxe para a cornice (sic). É o que os meus mal-amados querem ouvir.”
Não podia ser uma tradução dicionaresca. O calorão pedia muito mais fogo e libido. A tradução descambou para a baixaria, mas logrou sucesso nas top 10 sertanejas clássicas de 1988 na cidade de Montividiu-GO:
WHEN A MAN LOVES A WOMAN – QUANDO MINHA MULHER AMA UM HOMEM
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When a man loves a woman
Quando minha mulher ama um homem
Can’t keep his mind on nothing else
Não consegue manter seu pensamento em mais nada
He’ll trade the world
Ele trocaria o mundo
For the good thing he’s found
Pela coisa boa que encontrou
If she’s bad he can’t see it
Se ela for ruim, eu não consigo sentir
She can do no wrong
Ela nunca faz a coisa certa
Turn his back on his best friend
Ela vira de costas para seu amante
If he put her down
E ele a deita no chão
When a man loves a woman
Quando minha mulher ama um homem
Spend his very last dime
Ele gasta até seu último centavo
Tryin’ to hold on to what he needs
Tentando manter a amante
He’d give up all his comfort
Ele a mima com presentinhos
Sleep out in the rain
Que eu jamais conseguiria dar na chuva
If she said that’s the way it ought to be
Se ela disser que é assim para mim
Well, this man loves a woman
Pois é, ela ama um outro homem
I gave you everything I had
Ele dá tudo o que ela quer
Tryin’ to hold on to your precious love
E tenta preencher tudo que não sou
Baby, please don’t treat me bad
Meu bem, por favor não me trate mal
When a man loves a woman
Quando minha mulher ama um homem
Down deep in his soul
Ele vai fundo nela
She can bring him such misery
Ela pode deixá-lo exausto
If she plays him for a fool
E se ela estiver me traindo
He’s the last one to know
Sou o último a saber
Lovin’ eyes can’t ever see
Meus olhos enamorados nunca enxergam direito
Yes when a man loves a woman
Sim, minha mulher ama outro homem
I know exactly how he feels
Eu sei exatamente como ele deve se sentir
‘Cause baby, baby, baby, you’re my world
Pois meu neném, meu neném, meu neném, você é o meu mundinho
Poetas, loucos & roqueiros emos
21 de outubro de 2008
Eu sempre quis conhecer escritores. Acompanhar a boemia — na mesa anônima ao lado — da patota-bossa-nova das pingaiadas eternas de meio da tarde em Copacabana. Talvez porque todos esses ícones de uma geração que já bateu as botas foram heróis mundanos e enfadonhos com alguma graça perdida.
Encontrar ao vivo gente como Drummond, Pessoa, Bandeira. A chatisse que não devia ser uma roda de conversa deles! Ou então os loucos curitibanos: Trevisan ou Leminski e suas tentativas absortas de poetizar o que não se deve.
Os poetas já se foram. O mundo, dinâmico do jeito que é, colocou no lugar gente que não tem mais essa pegada toda sentimental.
Quem quer saber de um poeta na idade do rock
um cara que se cobre de pena e letras lentas
que passa sábado à noite embriagado
chorando que nem criança a solidãoQuem quer saber de namoro na idade do pó
um romance romântico de Cuba
cheio de dúvidas e desvarios
tal a balada de Neil Sekadaquem quer saber de mim na cidade do arrepio
um poeta sem eira na beira de um calipso neurótico
um orfeu fudido sem ficha nem ninguém para ligar
num dos 527 orelhões dessa cidade vazia
Esse poema acima (‘Desabutino’, do Chacal) é a cara das reações culturais contemporâneas. As músicas estão uma bosta. Letristas, mais cornos que nunca. Literatura, ovalada. Blogueiros, inúteis. Boa poesia, música inteligente e almas intensas, trancafiadas em redutos cada vez mais obscuros.
Conheço uma meia dúzia de bons redutos, socializados de forma honesta. Desses, um é virtual e reúne a excelência experimental da poesia e música em podcasts experimentais. Aliás, os podcasts são broadcasts de uma rádio local. Acesse o Programas Antigos e baixe a coletânea.
Recicle um pouco a sua cultura alternativa. É necessário. E gratuito.
Smoke´s squad
20 de outubro de 2008
Fotos do Sábado Aéreo, evento na base aérea de Brasilia, com apresentação da Esquadrilha da Fumaça e vários teco-tecos:
Coentro
16 de outubro de 2008
Odeio coentro. Tenho total aversão pelo gosto, pelo cheiro, pelo formato mimético e copiado da salsa. O coentro (na medida certa) é como pimenta (em excesso) na comida: consegue inocular seu aroma fétido e gosto execrável, inibindo o sabor original do pobre alimento.
Mas nem tudo é pessimismo pessoal: descobri que aquele cheiro-de-peido que o coentro exala é muito pior para a saúde do que eu imaginava.
Simone Weil (Cf. Simone Weil, Plantes toxiques et leur bel-mortels plaisirs, 1997, p. 476) bem explica os efeitos devastadores que o uso constante da umbelífera (Coriandrum sativum) exerce no metabolismo humano:
Jusque-là, il n’y avait pas un travail d’enquête sur la variété de plante glabreux. La coriandre (Coriandrum latine) de la famille des ombellifères, dont les feuilles – utilisée comme assaisonnement ou de saveur – une forte odeur, et dégage une grand caractéristique lorsqu’il est utilisé en cuisine.
Cette odeur vient du mélange des alcaloïdes pirrolizidíniques (une substance toxique produite dans le processus de bio-synthèse de la plante) avec du cyanure d’hydrogène (qui produit la forte odeur des amandes amères à partir des feuilles macérées).
Au cours des sept années de recherche (1989 à 1996) a montré que la consommation continue de coriandre peut conduire à une cirrhose, avec un risque élevé de cancer de parvenir à la destruction totale des cellules du foie
(…)
Au départ, la recherche a pour but d’identifier la présence de la toxine dans les plantes séchées herbier récoltés dans la cité scientifique de Villeneuve-d’Ascq (Université Lille Nord-de-France). Plus tard une analyze ont été mis dans 185 spécimens de plantes dans la nature, prises à différents moments de l’année et dans différents pays.
Les tests de laboratoire pour déterminer la présence d’alcaloïdes alliés de cyanure dans les plantes et de démontrer leurs méfaits ont été les plus exhaustives de recherche menées par l’Weil et avec les efforts des experts multidisciplinaire dans les domaines de la chimie, la toxicologie et l’histologie de Lille.
Pour l’identification des alcaloïdes et le cyanure, un processus qui a été utilisé est, d’abord, avec du méthanol à préparer un extrait de la plante, la chaleur et il analysera les différents composés chimiques de la vapeur dans un chromatographe en phase gazeuse couplée à un détecteur (spectrophotomètre) de masses. Ensuite, en utilisant des techniques de résonance magnétique nucléaire du proton et du carbone 13, isolé et caractérisé dix types d’alcaloïdes et de quatre différents types de cyanure (y compris le cyanure de potassium (KCN) et de cyanure de sodium (NaCN); changements C ≡ N et ion-ion CN) entre les composés chimiques, plus la réalisation des extraits purifiés de la substance.
L’étape suivante consistait à effectuer les tests toxicologiques, avec l’injection d’alcaloïdes dans 140 rats, dix pour chaque type de substance seule. Il est appliqué dans différentes doses chaque cobaye, afin de mieux suivre et d’évaluer l’effet de la toxine dans le corps de l’animal.
Enfin, les rats ont été sacrifiés et le foie soumis à histologiques analyze, pour évaluer l’état microscopique de cellules. Weil a été constaté au moment où les dommages aux organes des animaux qui avaient reçu des doses plus élevées de l’alcaloïde.
(…)
La combinaison avec les alcaloïdes et cyanure hepatoxiques sont différents, c’est-poison mortel pour le foie. La toxine bloque la circulation du sang dans le corps et nuire à son fonctionnement.
Agora a empenhada e livre tradução do trecho documental da revista cientifica québécois, cometida por nossa artífice francófona Émile Maraneur:
Até então, não havia um trabalho investigativo sobre essa variedade de planta glabra. O coentro (do latim coriandrum) da família das umbelíferas (Coriandrum sativum) cuja folha — usada como tempero ou condimento — exala um odor forte e característico quando utilizado na culinária.
Esse odor é proveniente da mistura de alcalóides pirrolizidínicos (uma substância tóxica produzida no processo de bio-síntese da planta) com cianeto de hidrogênio (que produz o forte cheiro de amêndoas amargas das folhas maceradas).
Durante os sete anos de pesquisa (1989 a 1996) foi comprovado que o consumo contínuo do coentro pode provocar a cirrose hepática, com alto risco de chegar ao câncer através da destruição total das células do fígado.
(…)
Inicialmente a pesquisa procurou identificar a presença da toxina em plantas desidratadas colhidas no herbário da Cidade científica Villeneuve-d’Ascq (Universidade Lille do norte da França). Posteriormente foram postas em análise 185 exemplares de plantas in natura, colhidas em diferentes épocas do ano e em diferentes países.
Os exames laboratoriais para identificar a presença de alcalóides aliados a cianetos nas plantas e comprovar seus malefícios constituíram a parte mais exaustiva da pesquisa conduzida por Weil e com o esforço multidisciplinar de especialistas das áreas de química, toxicologia e histologia da Lille.
Para a identificação dos alcalóides e cianuretos, foi empregado um processo que consiste, inicialmente, em preparar com metanol um extrato da planta, aquecê-lo e analisar os diferentes compostos químicos contidos no vapor em um cromatógrafo gasoso acoplado a um detetor (espectofotômetro) de massas. Depois, com o uso de técnicas de ressonância magnética nuclear de próton e de carbono 13, isolou e caracterizou dez diferentes tipos de alcalóides e quatro tipos diferentes de cianetos (Inclusive cianeto de potássio (KCN) e cianeto de sódio (NaCN); as variações C≡N e íon íon CN-) entre os compostos químicos, conseguindo obter extratos purificados da substância.
O passo seguinte foi realizar os ensaios toxicológicos, com a injeção dos alcalóides em 140 ratos, dez para cada tipo de substância isolada. Aplicaram-se doses diferentes em cada cobaia, para poder melhor controlar e avaliar o efeito da toxina no organismo do animal.
Por último, os ratos foram sacrificados e seus fígados submetidos a análises histológicas, para avaliação microscópica do estado das células. Foi quando Weil pôde constatar os danos causados aos órgãos dos animais que haviam recebido doses maiores de alcalóide.
(…)
A combinação dos alcalóides com os cianetos diversos são hepatóxicos, ou seja, venenos mortais para o fígado. A toxina obstrui a circulação sangüínea no órgão e compromete seu funcionamento.













