Arquivos do mês de agosto de 2008

MOMENTO “LOVES SONG”


terça-feira, 26 de agosto de 2008 | 3:08 pm

Tem uma rádio tosca em cada cidade desse Brasil que toca, diariamente, uma música em que o locutor — com voz de púnheto-falastrão — traduz em tempo real a letra melacueca supracitada.

A técnica é conhecida como Translação Temporal Afetiva (TTA) e funciona perfeitamente em corações apaixonados. (Tanto que, até hoje, essas traduções perduram pelas ondas do rádio.)

Durante um longo tempo, na crise do álcool em 1981, trabalhei como freelancer de rádios, traduzindo e reinterpretando expressões anglo-saxões em letras de músicas. Nuances, releituras e alterações viciosas para todo tipo de rádio, desde as católicas, até as ressaqueadas da era 70.

Colarei aqui, com alguma periodicidade, letras que levaram fãs a loucura, nas “love songs” do meu Brasil. A primeira, Hotel California, um clássico à parte:



Hotel California“Hotel Califórnia”
***********************************
On a dark desert highway
“Numa rái-uêi desértica dark”
Cool wind in my hair
“vento legal no meu cabelo”
Warm smell of colitas
“odor quentinho de colitas”
Rising up to the air
“crescendo no ar”
Up ahead in the distance
“acima e à frente na distância”
I saw a shimering light
“Eu vi uma luz bruxuleante”
My head grew heavy and my sight grew dimmer
“minha cabeça cresceu pesadamente e minha vista cresceu [dimmer?]
I had stop for the night
“eu parei para a noite”
Then she stood on the doorway
“então ela permanecia no vão de entrada da porta”
I heard a mission bell
“Eu escutei um sino missionário”
And i was thinking to myself
“e eu pensei cá comigo”
This could be heaven or this could be hell
“Isto poderia ser o céu ou o inferno”
[trocar 'céu ou inferno' por 'céu de invernoquando rádios católicas]

Then she lit up a candle
“e ela levantou um candelabro”
And she showed me the way
“e me mostrou a vez”
There were voices on the corridor
“Havia vozes no corredor”
I thought I heard them say
“eu pensei eu ouvia-as dizer”
Welcome to the hotel California
“bem-vindos ao hotel na Califórnia”
Such a lovely place, Such a lovely place
“como um lugar amável, como um lugar amável”



(…)

AS FLORES DE BRASILIA


segunda-feira, 25 de agosto de 2008 | 5:37 pm

Sexta-feira resolvi fazer uma fotografia de um ipê bem florido, na frente do Banco Central aqui em Brasília. É a foto gigante logo aí embaixo. O que eu não esperava era a hostilidade dos habitantes locais.

A câmera ficou em um tripé a 30cm do chão, o que requereu um agachamento momentâneo para ajustes focais e de posicionamento. Apoiei a mão no chão e senti que alguma coisa me espetou. Quando percebi, algumas formigas “ruivinhas” estavam espetadas na minha mão e na lateral da minha calça.

Essas formigas parecem uns cupins, vivem em buracos escondidos e estralam as mandíbulas com freqüência. Até fiquei observando o comportamento delas, são bem engraçadas.

O problema é que elas têm uma saliva neurotóxica de efeito perturbador. A cabeça tem uma trava de segurança na queixada, o que impossibilita a desmordida, conforme o infográfico abaixo:

1- A formiga crava as pincenetas queratinizadas na derme do vivente;
2- o formato cuneiforme da pinça traça um curso natural curvelíneo para o fechamento natural das dentadas, executando um efeito chamado “fechamento do cadeado”;
3- O ponto fraco da formiga é a delicadeza de seu pescoço: qualquer movimento com as pinças presas e zás!, sua cabeça é arrancada do corpo.

A foto acima foi tirada segundos depois das mordidas. Cada monstrinho vermelho da foto media quase 1cm. Conforme o movimento #3 do infográfico acima, a retirada das cabeças decepadas, inoculantes e travadas dá-se por tração. É como arrancar um piercing de um emo. Só puxar e deixar o sangue fluir.

No final das contas, fiquei 2 dias com a mão “formigando”, doída e com delirious-tremen. Mas já sarou.


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quarta-feira, 20 de agosto de 2008 | 10:33 am

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BOMBA!


quarta-feira, 20 de agosto de 2008 | 10:15 am

O que eu vou contar aqui é segredo, não espalhe para ninguém: consta nas agendas-settings dos jornalistas escolados e enviados-contatos-esportivos-in-loco que, para não haver favoritação e falsos palpites sobre os verde-amarelões atletas brasileiros na olimpíada, há a preferência léxica de grafar a expressão “esperança de…” à “chance de…”.

Justificativa vernacular: Utilizar ‘esperança de medalha’ quando o atleta estiver aquém ou distante, errar, cair, estatelar, amarelar, não ter treinado nos EEUU, não ser conhecido ou ter sido classificado por repescagem ou ‘quezinho’ minúsculo no teleprompte. Utilizar ‘chance de medalha’ apenas quando o atleta for favoritado, largar na raia 4 ou 5, ser invicto ou ter treinado em alguma universidade estadual estado-unidense.

Postem: Utilize junto a ‘chance de…’ os complementos ‘…medalha, só resta saber a cor’ ,‘…mais um oiro para o Brasil’ nos segundos finais da competição, quando a vitória for iminente.

BATMAN


quinta-feira, 14 de agosto de 2008 | 5:22 pm

Segunda-feira foi dia de ver Batman, o cavaleiro dos infernos. Acabou a luz do cinema no meio da película, um desatre. As luzes de emergência acenderam na hora, mas em trinta segundos morreram. O lanterninha avisou, tempos depois: “Cabô a luz, negada! Mas esperem que já volta.”

Com a sala em completa escuridão, eu e a minha esposa resolvemos ligar a lanterna do celular (que é um canhão complexo de xenon de quase 10k) e terminar o filme com as mãos, mais ou menos assim:


O bom é que o povo gostou e deu risada. O ruim é que a coisa perdeu a graça 9 segundos depois.


No final das contas recebemos os tíquetes de volta e fiquei quase 24h sem saber o que o Curinga faria com aquela bazuca do Rambo. Mas no final das contas vi um filme e meio pelo preço de um.


Escutei tanta balela sobre o ator e a personagem do Curinga que achei que o cara seria muito mais foda. Talvez a maldade amigável dele não fôra tão diferente, afinal. Mas vale a canja de malvadeza. 

OS JOGOS OLIMPICOS


quinta-feira, 14 de agosto de 2008 | 2:28 pm

Eu gosto de ver as olimpíadas por dois motivos: um é o monte de gente que quer pintar o diabo mais vermelho do que é e se quebra inteiro com braços dobrados para o lado errado, caras rasgadas, narizes estampados nas pranchas de trampolim e muito sangue; outro é o ceticismo brasileiro de que temos alguma chance de ganhar alguma coisa contra atletas profissionais.

As olimpíadas não dão trégua, meu amigo. Não são boazinhas e te arrebentam a cara se você vacilar. Enquanto estivermos mandando esportistas que precisem trabalhar oito horas por dia em uma profissão qualquer e, com o tempo restante livre, treinar, estaremos sempre assim, no quase.

Essa meia duzia de bronze que o Brasil ganhou até agora só prova isso. Que somos uns cagados no esporte.

ALBUM: FLORIDA RIDERS


quinta-feira, 7 de agosto de 2008 | 1:59 pm

Ontem foi dia de Florida Riders, o encontro semanal de motos no Florida Mall Shopping. Fiz a identidade visual e a publicidade do evento, então tive que dar as caras por lá para fotografar a cria ao vivo.

Toda quarta-feira você pode conferir, lá no estacionamento do shopping, o banner, a logomarca, as motos, os motoqueiros, as motoqueiras… =)


YORRAM, O LAVRADOR


segunda-feira, 4 de agosto de 2008 | 1:52 pm


CURTINHA NESCAU


sexta-feira, 1 de agosto de 2008 | 4:17 pm

Você nem vai perceber, mas o Nescau clássico não é mais fabricado. Aquela latinha cilindrica de 500g é passado agora. Colocaram uma versão pestilenta no lugar, torceram a lata e chamaram de 2.0.

Hereges.

A GARAGEM ANTIGA


sexta-feira, 1 de agosto de 2008 | 4:09 pm



I’M OLD FASHIONED


sexta-feira, 1 de agosto de 2008 | 3:15 pm

Uma quantidade extraordinária de e-mails e ligações ocupou nossas telefonistas após a menção discreta de que eu havia tido contato com o vigarista-sênior e trompetista nas horas vagas, Chet Baker. Nossos atentos leitores não deixaram o fato passar em brancos cirros e solicitaram maiores esclarecimentos sobre o assunto.

Estamos aqui pra isso. A melódia deu-se assim, segundo a elocubração que ainda perita em meus cornos.

Após uma petit tournet armada pelos ressalvos de guerra, resolvi largar o emprego de pescador assistente em um barco em Delacroix e parti para a Costa Leste. Vagabundeei por um tempo pelo baixo meretrício de Tampa, sempre a procura de uma bela mulher para fotos sem-vergonha com uma RolleiFlex.

Encontrei, por acaso, em um topless place um velho comparsa de corriqueiras brasileiras, chamado Eliseé Becquet. Não lembro ao certo, mas tudo indicava que ele era belga. O sotaque franco-germânico não negava.

Ofereceu prontamente um drinque (”Paguez-vous, Valentin.”). Aceitei, pelos velhos tempos. Becquet indica um sujeito no outro canto do balcão. Antigo desafeto, qual seja Chet Baker, um sujeito branco de nariz pequeno que vestia um suéter cinza com gola rolê.

Aproximei sorrateiramente para dar — a pedidos do meu amigo (e pelos velhos tempos) — um desmoralizante petardo de mão aberta no pavilhão auricular, mas interrompi imediatamente o telequete quando percebi que a desavisada vítima portava um estojo preto de couro esgarçado, em formato de trompete.

Pensei um segundo e perguntei se o rapaz saberia tocar “You go to my head” e o pedido foi prontamente atendido. “Of course, buddy wait´a min.”

Becquet saiu do ambiente em passos pesados. Meu tabéfe nunca estalou.

Assim conheci Baker, longa amizade, que culminou em desgraça no episódio de Amsterdã, aquele em que extraí 8 dentes do trumpetista com o bico do meu Torello Berluti Scaratta, lavado à champagne.



Aqui transcrevo a letra da música composta pela dupla Mercer & Kern, gravada por Baker em 1958:

I’M OLD FASHIONED

I’m old fashioned
I love the moonlight
I love the old fashioned things

The sound of rain
Upon a window pane
The starry song that April sings

This year’s fancies
Are passing fancies
But sighing sighs holding hands
These my heart understands

I know I’m old fashioned
But I don’t mind it
That’s how I want to be
As long as you agree
To stay old fashioned with me