
A alpaca (Vicugna pacos) tem pescoço longo e delgado: não combina com colarinhas deltóides. Descolore algumas mechas do topetinho escaraminholado, percebendo-se a necessidade de atenção. Rumina hermate e capim-gordura. Mora em um prédio da asa norte, com mais de quatro décadas de idade, banheiros de azulejos verdes, cerámica marron, e espelhinho Itatiaia chumbado na parede. A decoração inca é niemayelista de concreto original.
Gaba-se por ser um feliz morador do altiplano. “É a Manhattan brasileira, conpadre.” Descorre por horas das mordomias e facilidades que encontra em suas cercanias. Gosta de bivaquear por pilotis, mostrando sempre seu cenho sereno e constante. Acredita na ilegalidade e apóia ambulantes. Chama os flanelas pelos nomes. Milita a favor dos puxadinhos das comerciais.
Xenófobo e provinciano, repudia a migração diária de trabalhadores para o plano. Sabe que o trânsito impossível verte dos “sugadores-satélites de empregos-planários”. Complementa suas indagações pessimistas — sempre que lhe cabe a deixa — com um forjado: “E ainda querem construir o Noroeste…”

