
Arquivos do mês de abril de 2008
Dicas Cavalcantes
23 de abril de 2008
Feriadão foi dia de conhecer Cavalcante, uma cidade de Goiás que margeia a chapada dos veadeiros.
Distante 320km de Brasília, a cidadezinha conserva um ar bucólico e interiorano, ainda não afetado pelo turismo canibal dos brasilienses. E isso significa que você não encontrará tanta gente doida nas ruas, religiões estranhas ou artesanatos xinglings como em Alto Paraíso ou a vila de são Jorge, do outro lado do parque.
Mas a grande vantagem de Cavalcante é justamente a de estar do “outro lado” do parque da chapada dos veadeiros. É o lado onde tem mais cachoeiras, trilhas, biodiversidade e o principal: poucos humanos por atrativos.
Como o tempo era escasso, optamos por conhecer a cachoeira mais bonita da região: Santa Bárbara. São quase 30km de deslocamento por estradas de terra (inclua travessias de riachos) até a comunidade quilombola Kalunga. De lá, mais 5km de trilha aberta e tranquila até a ravina do rio.
A idéia de visitar a cachoeira era antiga, desde a primeira vez que conheci o parque e um guia havia mencionado uma tal “cachoeira das águas azuis”. Especulei na internet, procurei fotos mas mesmo assim você leva um susto quando encontra essa cachoeira tete-a-tete.

A água é azul-esverdeado por alguns motivos: uma concentração alta de calcário no terreno local, o reflexo do céu e da mata, com angulações propícias e a nascente do rio logo ali em cima, mineral. O poço é profundo. E mesmo assim tem piscinas artificiais por aí que perdem em visibilidade para essa cachoeira.
Eu tirei poucas fotos, acho que esqueci a fotografia no momento. A volta é tranquila, você se refresca nos inúmeros riachinhos que cruzam a trilha, gelados e transparentes.


Algumas dicas para Cavalcante: Se você tem apenas um carro normal de passeio, contrate o transfer da Suçuarana (única operadora local de turismo de aventura). Eles possuem carros 4×4. E guias capacitados. Não acredite quando dizem que qualquer carro pequeno chega em alguns lugares. As estradas de terra são pesadas. Lá tem poucas pousadas, mas todas muito boas. Reserve com antecedência. A maravilha das pousadas boas é que a grande maioria são afastadas, em fazendas. Isso garante noites silenciosas, escuras e cheias de estrelas. Algumas, com direito a fogueira. Reserve um dia para cada atrativo. Você aproveita muito mais. Fabrique seu próprio lanche para trilhas (almoço, na maioria das vezes). A alimentação por lá é escassa. Os dias são quentes demais. As noites podem ser frias, dependo de quão perto de um rio seu quarto ou chalé de pousada fica.
E a briga continua em Brasília
17 de abril de 2008
Faz tempo que não escrevo nada real e cotidiano neste site. Vamos lá, com wingdings bombásticas:

Acredito que o Brasil inteiro viu a mobilização dos estudantes no prédio da reitoria da UnB. A simbologia básica de tudo isso foi realmente interessante, mesmo porque o minhocão (Bloco principal de salas de aulas e laboratórios) ja fôra tomado por tanques de guerra e até o exército no tempo da ‘deita-a-dura’. Como sempre, os brasilienses não estão nem aí para isso. E a estudantaiada já começou o oba-oba.

Ontem invadiram a lata-de-talco (matriz 1 da Caixa Econômica). Os meliantes renderam o segurança e se instalaram com o objetivo de protestar sobre o que eles lutam de verdade: a

O que mais me preocupou nessa esbórnia toda é que as coisas pessoais da minha esposa poderiam ser extraviadas. Ela trabalha no segundo andar. Os populares-saqueadores poderiam levar sua coleção de miniaturas do Monstros S.A. e um porta-retratos, o que seria declarar guerra aos fanfarrões comunistas.

Abalroei o carro duas vezes em menos de 12h, em locais diferentes e da mesma maneira. Meu carro teve escoriações leves nos parachoques, e só. Os outros, sentiram de perto a destruição caótica da deformabilidade automotiva. Estragaram de verdade.

Neste sábado farei uma incursão pelo cerrado à procura de uma cachoeira de águas azul-turquesa. Aguardem fotos.
Inspiração ou coincidência?
11 de abril de 2008
Ontem a Célia apareceu com a última edição da revista Elle (Ed. Abril — págs 162-169, artigo “Couro Solo”) com uma bomba: “É o nosso editorial! Igualzinho!”:

Para quem não lembra, eu e o Victor montamos um mini-editorial no aeroclube de Brasília, para participar de um concurso, no final de fevereiro.
Como o mundo é cheio de incongruências, coincidências e inspirações, fica o registro que fomos os primeirões
Relatos do casario
2 de abril de 2008
Leitor MadCapista,
- Aceite que o tempo é uma abstração da realidade;
- Em seguida, perceba que, assim, essa abstração, por ser grandeza subjetiva, é sujeita a variações;
- Essas variações podem ser levadas para o universo individual e tomadas como parte de um todo;
- Apesar de individualizada, a parte ainda interage com o todo, de sua forma mesmo que, a exemplo, subliminar;
- A energia do conjunto não sofre perda alguma e a entropia conhecida é mantida.
Enfim, nós não vos abandonamos; sempre estivemos convosco!
Bem, após esse pequerrucho prolegômeno, vamos à veia do fato. Nossa redação esteve imbuída de percorrer alguns recantos sob essa ionosfera e ficou sujeita a interferências na distribuição do sinal, com delays variáveis (repare que R.Valentino está a cerca de 3 anos sem publicar; seu delay é neuronal, diga-se de passagem).
A vida que ruma no filete esquerdo sugeriu desbravações capiciosas e prosaicas, engolindo um tempo precioso de pensa.
Nesse ínterim, fui surpreendido pelo clamor ofegante e taquivérbico de R.Valentino, que me transmitiu em cabograma a mensagem que se segue:
VOLTO BREVE pt CAI EM CILADA pt NOT GUILTY
POR 6 A 5 pt PJ GUTIERREZ PASSA BEM pt
PRECISO PASSAPORTE DOLAR MALETA ZIPPO
FLAUTA pt CX POSTAL DE SEMPRE pt
CASAMENTO CANCELADO pt MAIS A SEGUIR
Para o leitor menos agudo, vale sublinhar a presença de vocábulos GUTIERREZ, ZIPPO, CASAMENTO, evidenciando para os mais tarimbados o espírito perene de Bukowski abarcando de uma só vez a trapaça, o vício e o escape, este último um continuum na vida dos joviais chefes deste canal. Pois bem, faltou a menção ao nosso finado gênio moderno liverpooliano, aquele adepto do subterfúgio e da virada espetacular; ninguém menos que o germen do harrisonionism (lido em not guilty).
Enfim, leitor assecla de sempre, a verdade é que essa organização já entrou no ciclo do carbono e teima em se revigorar do nada.
Acostumem-se com a virada do rio, com a marola traiçoeira, com a punhalada no bregma/cafongma, com o arsênico imiscuído na vela, com o envenenamento enteral, enfim, com toda a sorte de cautela ante a sorrateirice que representa esta confederação de mafuás chamada MadCap, mais uma vez, tentáculo sufocante da verborragia perene vestal.
Novos boletins em breve.



