Os humanos nascem sozinhos. Crescem sozinhos, mas vivem rodeados de pessoas, isso é claro. Incrivelmente sozinhas, como condicional óbvia. Aí a maioria das pessoas acham que a solidão é o “way of life”. Mesmo porque ‘conhecidos’ apenas são pessoas por aí, nada mais.
E aí começa toda a merda:
Com uma marretinha dourada lá vai o sozinho, perdido na consciência moral, construir uma muralha granítica em volta de si. Instransponível, alta, grossa. Até sentinelas nas guaritinhas a gente vê. Fazem da vida uma carreira militar armamentista. Os conhecidos podem ser inimigos ou espiões, melhor se precaver, por que não?
Então o serzinho consegue viver seguro. Uma segurança ingênua e solitária. Sem inimigos, sem espiões ou adversários.
Esse é o preço: eterna solidão.
Só que algumas pessoas (raras, deixo claro) pensam que a vida é uma coisinha mais engraçada. Vivem momentos e minutos e talvez a vida inteira megulhadas em paixões, amores e intensidades venais. Abrem-se para os inimigos — que na atual circunstância não são inimigos, mas sim parceiros ou maridos ou namorados, quem sabe até amantes. Preferem cair e levantar e cair novamente e erguer-se ao ponto mais alto de suas vidas, por um minutinho que seja, do que viver uma vida inteira seguros de si. E sozinhos.
A pessoa rara diria que isso é viver intensamente. O ser emuralhado chamaria de perca de tempo.


julho 12th, 2007 at 5:36 pm
Putz… mas eu tava com saudade de ler essas parábolas, viu? Como eu já disse, é fonte de inspiração!