Quando pequeno, minhas aventuras batiam pé com Munchausen, o barão. Todas as histórias fantásticas que eu contava pareciam tão irreais ou ficcionais que logo achavam que era mentira desregrada. As histórias eram reais. Meu mundo infantil foi tão absurdamente rico que, se eu contasse tudo que aconteceu realmente, ninguém acreditaria.
De fato eram histórias apimentadas com um pouco de imaginação. E pense comigo: como um menino que tinha mania de morder braços alheios prenderia a atenção de adultos ao narrar alguma coisa? Criando aditivos forçosamente interessantes em historietas comuns. Só assim me levariam a sério.
Eu adorava escutar as histórias dos adultos. Tudo para desconstruí-los e remontá-los, como em uma nova e diferente aventura. Meu avô era quem mais histörias novas contava.
— Pare de mentir moleque, isso é feio!
— Deixa ele… criança que mente tem futuro brilhante!
Ora ora, ledo engano.

