MadCap.com.br é um blog pessoal. Um site onde pensamentos, fotografias, histórias, ilustrações ou qualquer outra coisa sem sentido é postada em uma forma cronológica. Só isso já explica tudo.

Arquivos do ano de 2007

Prazer, Rodolfo.

24 de agosto de 2007

rodolfo.jpgEsse aí da foto sou eu. Feio pra burro. Mais esperto que inteligente. Apresento minha vida aos sete anos de idade. Antes disso quase não lembro de nada interessante na minha vida. Aliás, duas coisas idiotas: Um soco que levei na cara e a minha primeira namoradinha.


O soco foi uma briga na pré-escola. Era contra o Diogo, um ogro grandão e e inchado de tanto comer salgadinhos. A gente se desentendeu, a situação ficou insuportável e eu o empurrei. Ele me deu um direto no nariz. Eu nunca entendi como ele aprendeu a socar uma pessoa com 6 anos de idade.

O bom de tudo é que a gente retomou a amizade dias depois e nunca mais o vi.

Até semana passada, quando ele apareceu nos jornais como traficante preso pela polinter.


O caso da minha primeira namoradinha foi muito pior que o soco. Eu disputei com o Vinicius, um colega de classe, a mão de uma bela donzela. A disputa era simples: quem corresse mais que o outro e a pegasse, também na correria, seria o dono da mocinha.

Eu ganhei, ele ficou bicudo e foi embora. Ela olhou para mim, eu olhei para ela. Ambos com cara de ué. Não sabíamos o que fazer. E meu namorico acabou com o recorde de 12 segundos de duração.


Isso aí foi a minha vida até os 7 anos. Nada de mais.

Agora com 7 anos a coisa mudou de vento: conheci o inferno, por uma das empregadas domésticas que fazia às vezes de babá-copeira. Sim o inferno. Até então eu era um menino corajoso, destemido e invencível. Aquela empregada tinha nome Jurema, morava em um pequenino sítio e contava diariamente peripécias e aventuras de seus irmãos.

Eu adorava aquelas histórias. Eram carregadas de um ufanismo perfeito. Moravam em rancho de chão batido, foto de casamento colorizada na parede velha e escura. Mas tudo ali era empolgante. A panela de ferro carregada de dobrões e réis velhos. Herança devastada de um avô descuidado.

E Jurema apresentou-me o inferno.

Contou a história de um pobre homem da comunidade. Foi roubar milho à noite, entrincheirou-se na plantação, começou a quebrar as espigas. Bom homem não era, tinha lá suas maracutaias e desatinos que o condenavam, E o capeta apareceu em sua frente, oras! O Homem correu, mas o diabo é forte e sagaz. Pegou-o pelos gargumilhos e o abanou, como se fosse uma marioneta. Pobre homem aquele! Jurema ficava aflita, “Olha, ate arrepia meus pelos do braço!”.

Jantar e Jurema foi embora. Meu quarto ficou escuro demais aquela noite. A cama tinha um espaço vazio ensurdecedor embaixo. O armário, lugar que sequer admiti existir qualquer monstro (monstros, há, valha-me, nunca acreditei mesmo!) Agora era um lugar de trevas. Trevas cercando-me. Aquele homem fazia coisas que não deviam. O diabo apareceu-lhe. Eu fazia muitas coisas erradas. Qual moleque não faz coisas erradas! Eu andava com uma corja de bandoleiros naquela pequenina vila!

Droga, perdi minha invencibilidade espiritual aos sete anos de idade. Conheci o demônio, por tabela. Sabia que ele poderia estar na espreita, fitando cada merda que eu fizesse. Mas o demônio ali era furtivo e cauteloso. Porque qualquer demônio sabe que um imprestável menino de sete anos possui muito mais anjos da guarda que qualquer outro.

Jurema… Ah, Jurema, como às vezes tenho vontade de te esganar. Ou te agradecer. Não sei ao certo.

O novo personagem elementar

23 de agosto de 2007

Criei um camaradinha que vai ser uma espécie de fantoche virtual do MadCap. Um menino chato e idealista, com uma pitada de inocência e descompromisso vivencial.

O nome dele é Rodolfo, e terá residência na categoria “O menino que não existe“.

Qualquer semelhança com personagens, nomes, locais, objetos ou marcas será mera coincidência.

Ridi pagliaccio, sul tuo amore infranto!

21 de agosto de 2007

RIDI PAGLIACCIO, SUL TUO AMORE INFRANTO!

O pessimismo desconcertante

17 de agosto de 2007

Tem um monte de gente que acha que sou um babaca egocentrista ou um pessimista inveterado, um sujeito baixo e descriterioso que não gosta dos humanos só por não gostar mesmo. Birrento.

Então vou contar porque sou o cinismo em pessoa.

A verdade? Eu não me importoe estou sendo o mais sincero possível com o mundo cotidiano. O dólar subiu ou desceu? Não sei. O presidente conseguiu a reeleição? Parabéns para ele. Não quero saber se o governo boliviano roubou a Petrobras. Ela não é minha, não tenho ações dela. Não me interessa se o terror está deixando os americanos mais neuróticos. Pouco me importa se morrem 80 ou 120 pessoas em Bagdad, por dia, porque explodiu dois carros-bomba. A amazônia está sumindo em uma proporção incrível. Meus pêsames para ela. Fico apenas com dó dos orangotangos, elefantes e girafas que por lá moram.

Tentei, por dez anos, mudar o mundo. Juro! Fiz de tudo. Fui bonzinho, caridoso, atencioso, protestante, ativista, grevista, petista, comunista, vanguardista, causista, greenpeacisista, filantropo e atônito. E de nada resolveu. O mundo continuou cruel! Os muçulmanos continuaram a guerra santa. A fome aumentou. A AIDS matou mais do que deveria. Ajudei, bem ajudado, umas 30 pessoas, uns 5 cachorros, 12 árvores que nasceram dentro de um saco e invariavelmente morreriam sem minha intervenção. E quer saber? De nada adiantou.

O Brasil está uma merda. O povo brasileiro é a raça mais desgraçada que poderia existir. Odeiam a terra em que vivem. Mijam nos monumentos, apodrecem a pátria. Pasmem: alguns sabem cantar o “Star Spangled Banner” mas não sabem o que é o lábaro que ostentas estrelado. São americanos em pele de latinos. Veneram RBD, JayZ, J.Lo, 50Cent e desconhecem o maracatu atômico ou o cordel do fogo encantado.

É a placa ali no semáforo, mais cínica do que eu, que diz: “Esmola não dá futuro!” mais abaixo, em letrinhas miudas: “Não alimente o narcotráfico, o comércio ilegal de armas, o tráfico de escravos” “Não alimente os animais indigentes”

É o mendigo que não sabe seu próprio nome, data de nascimento, o que é, realmente.

É a mulher nojenta que ostenta a soberba incrível ao xingar o vendedor de panos alvejados na janela do seu carro blindado.

Hoje não tolero muita coisa, mas dou R$10 para um mendigo no sinal. Aliás, dei meu guarda-chuva bonitão, escocês, que me acompanhava há 10 anos, para um menino que estava na chuva. A cara de felicidade dele valeu muito mais do que qualquer sorriso humanitário que já existiu.

O mundo é marginal, meu filho.

Está caótico. Os bandidos são muito mais malvados do que você imagina. Não acreditam mais em Deus. Acreditam em um canela-seca enferrujado que botam na cintura. Os ladrões abrem seu carro em 3 segundos. Os larápios da internet secam sua conta bancária em 12 segundos. Os seqüestradores-relâmpagos passeiam a noite inteira contigo dentro do seu próprio carro e você não vai saber, ao certo, se sairá vivo ou queimado dessa merda toda.

Orkut para ver a desgraça que a vida das pessoas que conheci em um passado remoto se tornou. Aliás, como tem gente que não evoluiu patavina nenhuma!

Aliás, o Orkut tem uma comunidade que coleciona perfis de pessoas que morrerram. E quanta gente está lá, como urubus, esperando o próximo morto para desejar um “descanse em paz”!

As pessoas gostam de ver tragédias. Gostam de ver carros batendo. Gostam de ver gente morta. Curtem jornais-carnificina.

Pornografia. Putaria desenfreada. Sexo, drogas e rock no sentido mais lascivo e promíscuo. Mulheres-objeto, fotografias amadoras com as câmeras digitais em motéis furrépas de R$5 a hora.

Quanto mais, melhor.

Maconha e pinga para ficar doidão. E perder a realidade que pinica as ventas.

Essa é a humanidade de hoje.

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Não escrevo mais como deveria. Talvez porque fiquei velho. Todas minhas histórias eram reais demais, e eu não sei mentir. Nunca menti. Sempre vivi da realidade crucial que beirava a verdade. E isso me matou justamente porque acabou minha experiência de vida. Apenas alguns pequeninos trechos cotidianos sobreviveram.

Meu videogame é mais expressivo. Minha coleção de DVD´s é mais expressiva. Meus desenhos morreram, minha criatividade espreita melhores dias. E espera com paciência.

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Bah, esqueça. Eu minto, e minto muito. A base da literatura é a mentira. A falácia, o desencontro real da vida presencial.

Eu escrevo muito. Adoro escrever, e isso é um processo bem desencadeado.

O problema é a realidade.

É a falta de discernimento entre o certo e o errado. Entre avançar e esperar a hora.

É a teimosia de tentar escrever ou desenhar coisa belas e inteligentes, enquanto a massa anda na contra-mão disso tudo, à sotavento, enquanto eu teimo barlavento.

Meu mundo é muito grande. Conheço toda a escuridão podre e fétida. conheço o feio, o subversivo, a morte que ronda todos, a corrupção, o suborno, os sete pecados capitais, os maconheiros, os traficantes. E conheço a luz, a seda, a alvura, o brilho do cabelo sedoso, a paz, o cheiro de banho tomado, a música compassada, a inteligencia, os bons costumes, o respeito e a ternura.

Ainda assim, gosto mais da bela vida justa e sincera.

Tenho esperanças, tenho fé, o que são, no fim das contas, coisas boas.

Ferietas

17 de agosto de 2007

Como sempre, nada do que planejo dá muito certo. É claro que outras coisas inusitadas e surpreendentes acontecem e acabam suprindo as frustrações.

Era para eu visitar um amigo no interior, jantar com clientes, happyhour com o povo do antigo trabalho. Mas essa sensação de que sou anti-social enaltece as minhas manias velhacas.

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Ir à praia no inverno é surpreendente: você encontra mais pingüins, focas, baleias e siris mortos do que humanos.

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O manezão abaixo achou que o labrador seria tongo de buscar, pela segunda vez, um pedaço de telha de barro. Deu no que deu.

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Voltemos aos posts pseudo-filosóficos.

Álbum: Foz do Iguaçu

11 de agosto de 2007

De Curitiba, através da BR-277, até Foz do Iguaçu. Paraguai, Argentina entraram na dança também.

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Álbum: as praias de inverno

3 de agosto de 2007

Um pequenino passeio pelas gélidas, desérticas e paradisíacas praias do sul de Santa Catarina.

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Fim da fase um

30 de julho de 2007

Acabou a fase um deste site. Cansei do passado. Deixemos o resto como deve realmente ser: esquecido.

Comecemos um novo mundo, agora.

Melhor escrito, aventurado.

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Nossa bela época trasforma tudo em narrativa. A loucura evolui para um belo objeto de especulação formatado para cooperar com o sistema global de quantificação da natureza e, de repente, tocar em meus fones.

A tendência é enquadrar toda diferença em alguma categoria desviante e/ou pervertida e, assim, para todos os efeitos, aniquilá-la enquanto tal.

Segurança máxima.

Sem fuga.