MadCap.com.br é um blog pessoal. Um site onde pensamentos, fotografias, histórias, ilustrações ou qualquer outra coisa sem sentido é postada em uma forma cronológica. Só isso já explica tudo.

Arquivos do ano de 2007

Desatinos e desamores

29 de agosto de 2007

”Amor, preciso te contar uma coisa: Não podemos mais namorar…”

Assim conheci a realidade dos amores e desamores.

Era o final de ano do período mais recheado de descobertas em minha vida. E final de ano era certo ficar em alguma matéria em recuperação de notas. Sempre em história. Acontece que Janaína ficara em história também. Assistíamos a aula cedo e, no meio da manhã, já estávamos caminhando de mãos dadas pelas ruas da pacata cidade.

Parei de imediato quando ela exclamou aquelas palavras aterrorizantes. “Como assim não podemos mais namorar? Você brigou em casa?”

Fiquei perdido.

Janaína ia mudar para o interior de São Paulo com a família. Seu pai comunicou duas semanas antes. Era o prazo que achou necessário para ela terminar o pequeno e ralo relacionamento comigo. Na época achei uma canalhice. Mas hoje percebo o quanto nos foi bom não prolongar muito aquela dor.

Foram duas semanas intensas e dolorosas. Era uma situação imposta e maluca. Tínhamos até planos de fuga para vivermos nosso amor. Bem na verdade não sabíamos o que fazer. Cada dia que nos restava era planejado com delicadeza. Acredito que ficamos mais tempo juntos nessas duas semanas que se passaram do que em todo o resto de nosso namoro em tempo normal. Foi doloroso. Foi triste. Amargo e desesperador. Não consegui dormir naquele período. Meus sentimentos purulavam dor pelo corpo. Eu chorava compulsivamente à noite.

E chegou aquele sábado do último dia de nossas vidas.

Encontrei com Janaína no portão de sua casa. Ela estava com os olhos tristes, nariz com a pontinha avermelhada. A cena me desarmou de todo o resto de coragem que consegui reunir para o momento. Minhas pernas enfraqueceram, caí de joelhos em sua frente. Ela ajoelhou-se de imediato e me abraçou. Choramos. Aquele abraço repelia qualquer sentimento ou pensamento que passasse na minha cabeça. Era dor e pavor.

Dei à ela um perfume que ela tanto pedira: Spirit Of Flowers. Ficamos algumas horas juntos. Precisava ir embora. Estava noite. O pai de Janaína achou melhor dar uma carona para mim. Lembro muito bem que aquele senhor grande e forte tinha um magnífico carro importado. Vermelho, vidros escuros originais. Motor de ronco forte. E o único Pontiac da região.

Ele se despediu de mim com um caloroso e forte abraço. Apertamos as mãos, ele foi embora. Uma cena inesquecível.

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Troquei cartas com Janaína por uns cinco ou seis meses. Nossas cartas foram nos distanciando. Ela mudou mais algumas vezes, foi se aventurar por Londres, tempos depois.

A saudade e a dor de uma paixão interrompida ficaram.

Mostraram-me que, feridas de paixão, mesmo que doloridas, cicatrizam com o tempo.

Hana Matsuri

28 de agosto de 2007

Hana Matsuri Drum'n'bass

Briga

28 de agosto de 2007

Uma coisa que sempre assegurou minha integridade física nos tempos de colégio foi a avantajada estatura de italiano carcamano. Eu era o maior da turma e isso deixava espaço para pensar em outras coisas, nunca em brigas ou desentendimentos com outros colegas.

Namorar, por exemplo.

Enquanto aquele bando de moleques — uns vinte de cada lado — corriam atrás de uma bola ovalada e encardida na quadra poliesportiva eu estava com minha namoradinha recém conquistada em uma peça de teatro nada fiel ao roteiro. E é claro que em alguns momentos eu estava correndo atrás da bola e ela jogando um volei. Ma a maioria do tempo, cumpríamos nossos papéis conjugais.

Eu adorava beijar a Janaína. Era uma experiência difente, descobri que o primeiro beijo da menina fôra meu primeiro beijo. E o segundo e o terceiro.

Os intervalos de aula no colégio definitivamente era onde o estado social de cada aluno era construído. Amigos, namoradas, poder, liderança. Lembro-me claramente dos que conquistavam tudo isso com carisma, com humor, com a força.

E lembro claramente do dia em que eu tive que usar a força para assegurar minha posição e não perder a “hombridade” perante uma namorada.

Eu brincava de dar soco com o Ricardo, um colega que praticamente conheci na maternidade. E como dois chimpanzés na puberdade, vivíamos pegando o outro desprevinido com essas brincadeiras. Ricardo estudava em outra classe. E naquele ano, um cara meio estranho ingressou na classe de Ricardo. Eles conversaram algumas vezes, mas nada que afetasse a distância entre ser amigo e ser apenas conhecido.

Ricardo passou perto de mim, desprevinido. É claro que levou uma bifa no braço. Ele parou para conversar, a gente estava tramando uma descida de bicicleta por umas trilhas no meio do mato. Acontece que esse cara que era novo no colégio presumiu que eu tinha batido de verdade no Ricardo. Parou na minha frente, interrompendo nossa conversa. Ele era menor que eu. Bem menor. Magrinho, franzino e feio. Pegou pela gola da minha jaqueta e perguntou se eu não percebia a idiotice que acabara de fazer.

E é claro que nesses 5 segundos da ação do magrélo o colégio inteiro juntou-se à nossa volta. Não se pode brigar nas dependências de colégio, então algum doido da multidão exclamou: “Briga na saída moçada!” Todos hurraram como medievais. Ele se afastou, mas sem antes selar aquilo com um “Espero na esquina de baixo.”

Pronto. Minha honra posta em cheque. Praticamente todos já sabiam da picuínha, inclusive Janaína. Ela veio conversar comigo, estava preocupada. Sabia que eu não teria desvio de caráter e sabia que eu nunca brigaria por nada. Meus irmãos mais velhos, maiores e mais fortes que eu martelavam táticas de guerrilha para eu acabar com o desafiante. Fecharam a conversa antes das duas ultimas aulas com um “Se você apanhar, a gente bate nele.”

As duas aulas que se passaram foram aterrorizantes. Não era medo da briga, não era saber se apanharia ou não. Era questão da agressão e da quebra de algumas premissas que sempre tive.

Meio-dia. Cena de faroeste na rua. Centenas de estudantes exaltados, a esquina lotada. Ele estava lá, esperando. Meus irmãos em pontos estratégicos. Parei diante do rapaz. Aquela cara fechada fez eu sentir a raiva dele nos olhos. Uma coisa imcompreensível, e até hoje não entendi toda a revolta.

“O que acha de apertarmos as mãos? Assim não teremos problemas mais.” E falei isso de todo o coração. O rapaz jogou a mochila no chão, tirou sua jaqueta. Pronto. Jogar a mochila no chão é um insulto ao desafiado. Coloquei minha malinha subaqueira no chão. Ele não queria conversa mesmo. E tanto que não queria conversa que deu-me um chute na bunda. Um chutinho fraco, provocador. Eu ainda não brigaria. Mas aquele chute encheu os olhos do público e aí já viu… o cara ficou todo cheio de si! Montou posição de guarda com as mãos. Desviei meu olhar para Janaína, gesticulei com as mãos em sinal de interrogação, ela não sabia o que responder. Era uma cena estranha. Aí não deu outra, o rapazinho avançou para cima de mim. Eu iria levar um soco se não fizesse nada. Juntei os dedos da mão esquerda. Apertei-os com toda a força e esperei. Ele era ansioso demais. E isso que o derrubou.

Na verdade o que derrubou aquele saco de ossos foi um soco no meio da fuça. Um soco com tanta força que ele cambaleou uns cinco ou seis passos para trás antes de cair atordoado. Foi nocaute propriamente dito. Sangrou-lhe o nariz, um olho começou a inchar.

Na hora parti para cima dele, queria saber se estava tudo bem. Aquele nariz não parava de sangrar, ele não conseguia ficar em pé. Foi horrivel. Horrível e engraçado, pois me preocupei mais com ele do que com meu dedo médio que havia trincado. Ajudei-o a ficar em pé e recostar-se no muro. Todos ali estavam estasiados com a potência da bifa. Janaína veio ao meu lado. Ela sabia que não teve outro jeito. “Podia ter batido com menos força, né!” Ela deu o lenço de bolso para o rapaz estancar o vazamento. E foi aí que tudo voltou ao normal: ele olhou para mim e mandou um “Ei cara, foi mal viu!”

Apertamos as mãos. Final de briga. Segui embora de mãos dadas com Janaína, escoltado pelos meus irmãos. Giancarlo resmungava da brevidade da situação. Gianlucca dizia que o magrélo ainda iria revidar aquilo. Ela só me olhava de canto de olho.

Eu sabia que ela não esperava nada daquilo.

No final das contas levei uma advertência escrita por briga nas cercanias do colégio, uma radiografia da mão e talinha de alumínio por 45 dias para cicatrizar a fissura na falange media do terceiro distal da mão esquerda.

Algumas coisas que ficaram: Nunca mais briguei no colégio. A fama daquele único soco ficou. Aquele moleque nunca mais chegou perto de mim. O Ricardo continua meu amigo até hoje. E não me orgulho desse episódio. Não acrescentou em nada.

Agripino, o calceteiro

28 de agosto de 2007

Agripino, o calceteiro

Arma de fogo

27 de agosto de 2007

Sempre que podia lá ia eu e meu vizinho da casa da frente para sua chácara. Seu pai ia a serviço, coordenar e ver a quantas a empreitada do pessoal rendia. Já eu e o Zizinho ficávamos saracoteando pelas matas ao redor. Como bons desbravadores, no auge dos nossos onze anos, achamos uma espingarda de fogo, na sede da chácara. Não sei como se chama essa arma, mas eu a conhecia como Flobé calibre 22. E achamos uma caixinha de munição, uns cem projéteis.

Meia duzia de tiros certeiros em uma lata de óleo foi a deixa para uma saída de caça. Eufóricos como deveria, qualquer coisa que cruzasse nosso caminho levaria bala. Até galinha.

Achamos uma clareira no meio de um capão de embuias e pinheiros. Armamos tocaia. A flobé era nova, tinha um monte de firulas. Mas o melhor de tudo era uma mira telescópica herdada de algum rifle do quartel, uma vez que o pai do Zizinho era militar reformado. A mira era muito precisa e tinha um alcance de aumento gradual.

Eu estava com a espingarda em punho. Senti-me o próprio atirador de elite. Quinze minutos depois pousa em um pinheiro, à média distância, um casal de curucacas. Para quem não sabe, a curucaca é um pássaro de grande porte, bico fino e alongado, muito bonito. Lembro-me que fechei a mira, firmei a coronha, pisquei rapidamente umas duas vezes, prendi a respiração.

O primeiro disparo do dia, para valer.

Certeiro.

O estampido seco do projétil está marcado para sempre em minha memória. Primeiro disparo, último disparo. Corremos, como dois predadores irracionais para ver a caça. O petardo atingiu abaixo da cabeça e quebrou o pescoço do pássaro.

O medíocre e insensato ar de superioridade imediatamente cessou, ao ver o animal agonizando seus últimos suspiros. Peguei-o no colo, ainda quente, mexia-se vagarosamente. Morreu em menos de um minuto. Zizinho estava aterrorizado. Eu, atônito, não conseguia pensar em nada. Deixei a carcaça do animal ali, ao pé daquele pinheiro. Voltamos os dois, sem conversar.

Fiquei a semana inteira ruim. Não conseguia dormir à noite. Imaginava, ainda como uma criança, se aquele pássaro era fêmea, se tinha família para cuidar. Pensava na saudade do pássaro que o acompanhava, se eram casados.

Aquele maldito momento em que eu acabei com uma vida, fez-me raciocinar por longos anos. E percebi, infelizmente, que um bom naco de minha inocência havia se perdido, para sempre.

Como a vida da curucaca.

Agenor´s barbearia e sorveteria II

27 de agosto de 2007

Odeio cortar o cabelo. Quando ainda criança eu achava que doía. Tinha aquela impressão materialista de que, cortar partes do corpo, como o cabelo e a unha, era como cortar um pedaço da gente. Apesar de não totalmente errada a teoria, acabei me conformando com os constantes escalpes cabelísticos.

O que me fez mudar de idéia foi uma barbearia muito legal, onde ainda, até hoje, existem aquelas magníficas e cromadas cadeiras Ferrante, com regulagem em tudo quanto é lugar e forrada de um couro vermelho um tanto quanto artificial.

O mais interessante nesta barbearia era que toda a rapaziada da minha escola cortava o cabelo lá. E o seu Geno, malandro como era, sabia exatamente como manter a clientela jovem: tinha um armário negro, opaco, com uma coleção invejável de revistas pornôs. Eram Playboys inúmeras, creio que se eu falasse que era uma coleção completa, não estaria mentindo. Penthouses, Hustlers americanas originais. O arsenal proibido ali era muito complexo. Existia os gibis de Carlos Zéfiro, com seus nanquims, algumas revistas alemãs de sexo explícito.

Eu gostava realmente de ler as figuras de um livrão japonês, de umas seissentas páginas, completíssimo, com fotos coloridas e tudo mais, que explicava na totalidade sobre todas as áreas de prazer, ilustrava posições sexuais e, de lambuja, como xavecar e perceber se a mulher estava caindo ou não no seu papo-aranha.

Um manual completo de como funciona o relacionamento sexual e suas diretivas.

E assim eu aprendi que, com o martírio do corte do cabelo, a minha vida ia tomando ares de graça.

O seminarista

27 de agosto de 2007

Certa vez encenei uma peça de teatro. O Seminarista, de Bernado Guimarães. Atuei como Eugênio, o filho de um fazendeiro abastado. E foi nessa brevíssima época de teatro que conheci Janaína, uma linda e refinada senhorita que contracenaria comigo.

Janaína, na vida real, era filha de um poderoso fazendeiro. Estava encenando Margarida, a filha de peões da fazenda.

Era peça de teatro do colégio. Quinta série. Na verdade fomos obrigados pela professora de literatura a encenar uma peça inspirada em algum clássico da literatura brasileira. Precisávamos de nota, a professora era uma freira e “O Seminarista” cairia como uma luva.

Roteiros, figurino, cenário, tudo elaborado por nós. E aquelas apresentações das turmas faziam muito sucesso! Todos os alunos adoravam assistir as interpretações, fosse para chacotar, fosse para dar risada das coisas inusitadas que apareciam. Escrevi o roteiro. Coloquei cenas fortes, falas potentes e diálogos pesados. Alguns palavrões em cenas críticas. A trilha sonora foi primorosa: desde Black Sabbath até Mozart.

Ensaios, releituras do roteiro original, tudo extremamente impecável e interessante.

No dia da apresentação, lembro que acordei muito cedo. Nossa peça era a primeira do dia, seguida de mais umas três ou quatro. Preparei minha batina, penteado com uma pitadinha de gel e muito nervosismo. A primeira cena começava com barulho de chuva, era o ínicio da música Black Sabbath, da banda homônima. E como tremiam minhas mãos! Entrei em cena, nunca olhe para o público, eu olhei. Casa lotada. Amigos surpresos com a batina.

O ápice da peça, para mim, seria nos primeiros cinco minutos de atuação, no momento em que eu conversaria com Margarida e explicar-lhe-ia a drasticidade do nosso futuro. E foi o que aconteceu. Usei de muita emoção. Foi coração e alma. E a cena termiraria com um abraço e Vivaldi Inverno Adaggio ao fundo. A cena foi tão forte e estarrecedora que o teatro sumira. Todos permaneceram em um completo e infinito silêncio matutino. Abracei Margarida. Ela me abraçou. Eu estava chorando de verdade, confesso. E não era para ser tão triste. Terminei com uma frase que não estava no roteiro, frase de amor, muito menos que eu pensava em dizer. Olhei para Margarida, olhar diferente que me acomedera de quaisquer escapes emocionais que pudesse viver em um mundo qualquer. Era um olhar direto e intenso.

Beijei-a.

Meu primeiro beijo. Um beijo vestido de batina.

E fôra um beijo diante de centenas de pessoas que sequer imaginavam que aquele beijo era muito mais que apenas um beijo técnico ou encenação. Um beijo real, demorado, lento e carregado de emoções.

Todo o teatro veio abaixo com aplausos e gritos dos meus amigos! A cena terminou, Margarida saiu de cena e perdi metade das minhas falas. Eu improvisava pedaços, remendava falas porque simplesmente estava em um estado letárgico de euforia e precisava demonstrar exatamente o contrário! Algumas cenas depois, o desfecho.

Era a primeira missa que Eugênio celebraria, depois de sua ordenação. O Rossi — polaquinho que estudara comigo e fazia papel de coroínha — entra correndo, esbaforido, “Eugênio, chegou um cadáver! Poderias tu encomendar-lhe as orações?”

“Claro, sem problemas”.

O cadáver era de Margarida. A sua segunda cena na peça. É claro que a peça teve novamente um tom pesado e até meio mórbido: Aproximei-me daquela mesa onde o magnifico corpo esticado pairava. Margarida, a reconheci na hora. Fitei-a por alguns instantes, passeei minhas mãos por aquele corpo (e isso não estava no roteiro, confesso) aproximei-me do seu peito e chorei. Novamente o teatro fechado em um silêncio absoluto. Levantei lentamente e a beijei. Novamente um beijo puro e intenso, meu segundo beijo na vida e no teatro. Um beijo onde ela apenas recebia meus lábios. Mais Vivaldi, melancólico, embriagando aquela cena de uma dor terrível.

Eugênio enlouquecera na primeira missa celebrada por ele. Rasgou a batina e se jogou no chão, contorcendo-se de dor e remorsos. A luz gradualmente apagou e a música sumira aos poucos. O público ovacionou toda aquela dramatização com aplausos em pé, urros dos colegas de classe e muitos gritos. Foi uma peça planejada para 30 minutos mas que em 15 conseguiu cortar as cenas mais importantes do celibato longíquo de Eugênio.

Minha primeira e única atuação teatral. Meu primeiro beijo. A única vez que chorei de verdade quando era para chorar de mentira.

A vez definitiva em que decidi não mais ser um seminarista. Havia me apaixonado por Janaína.

Primeira namorada, menina que eu conhecia desde a pré-escola. E o pequeno romance durou até o final de ano, quando ela mudou para alguma cidade interiorana de São Paulo.

Primeiro romance, mas não o primeiro amor, ainda.

Robotomizer

24 de agosto de 2007

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