MadCap.com.br é um blog pessoal. Um site onde pensamentos, fotografias, histórias, ilustrações ou qualquer outra coisa sem sentido é postada em uma forma cronológica. Só isso já explica tudo.

Arquivos do ano de 2007

A menina do Orkut

5 de julho de 2007

Doralice acessa a internet para conhecer pessoas. Tem um computador mequetréfe, amarelado e impregnado de adesivos japoneses “metal-stickers”. Doralice — coitadinha — é feia pra chuchu. Até poderíamos dizer: “Oh, Dórinha tem alguns ângulos encantadores!” mas seria mentir em demasia.

A moçoila era bonita em 1992. Adorava zanzar pelas ruas do centro com uma bicicleta toda cheia de nove horas. Tinha até uma cesta no guidom, com umas flores roubadas na vizinhança. Praticamente una ragazza graziosa che guida la bicicletta, com direito a vestido que avoava e la mutandina, de supetão, visibile.

Acontece que esse jeitão espaventado por entre os carros não deu muito certo e um charreteiro atropelou a incauta zanzarina. A coisa até que foi engraçada em um primeiro momento, justamente porque ela se estatelou no chão de uma maneira jocosa. As flores do balaio do guidom caíram por cima e parecia que ela tinha batido as botas de verdade, envelopada para um féretro.

Devaneios à parte, Dórinha quebrou a bacia e ficou meio capenga de um lado. A queda também deslocou de leve o nervo óptico esquerdo, o que a deixou meio zarolha. Engordou, começou a fumar, largou a bicicleta, perdeu os 4 anos de namoro, ganhou olheiras, frieiras e chulé.

Mas ela tem um computador amarelado. Pois então.

E eis que ela descobriu a maravilha da virtualidade e cibrenética. Pra quê! Lá foi a dondoca passear no mundo do sentimento-cego. Entrou no Orkut. Cadastrou-se no almas-gêmeas. Levou dezesseis horas em frente ao computador: digitou, apagou, reescreveu, leu, releu. Criou uma auto-biografia erudita, sensual e intrigante. Invejável por assim dizer.

“Clique aqui para enviar a foto do álbum”

Ah não! Dórinha, a coisinha feia, não tirava uma foto decente há tempos. Só 3×4 com olheiras e cara de peixe morto. E olha lá.

Bom, como nada é assim tão imutável que não possa se descaracterizar, Dó não teve dúvidas: correu para os arquivos analógicos de fotos impressas, seu gavetão de tranqueiras, convicta.

Achou a foto perfeita:

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Abramos parentese. Quer foto mais especial e bonita que a que Doralice achou? Pois bem, ela chegou em um ponto muito interessante da vida virtual: a foto pessoal.

Todo mundo tem uma foto para a internet. O Orkut é o pai de todas as maldades quando se fala em “A Foto”. Milhares de perfis com belas estampas na esquerda. Ângulos reais, não tenha dúvida. Mas momentos tão sutis e especiais (as vezes artificiais ao extremo) que talvez jamais se repitam. Fotos indecentes no ponto de vista moral. Quem sabe difamatórias, não seriam? Fechemos parentese.

Dó arrancou a foto do porta-retratos. Atrás, escrito em azul: “Para meu momozinho, da sua dodózinha / Arraial’91″.

Ah, sim… Momozinho era o amor da Dodózinha. Ah, outro parentese. O maledetto Momo largou a Dodó por descaso. Descaso dela, fique claro. A dodózinha, delicadinha virou um dodôzão. Ele lutou contra o enfeiamento progressivo, mas ela já tinha perdido a batalha antes de começar. Fecho parêntese.

Enxugou o fio de lágrima. Foi para o computador, escaneou a foto, salvou e clicou acolá para enviar. Quinze minutos depois, a frase que mudaria sua vida para sempre: “Oi gata, tem MSN?”

Doralice conheceu muitos homens. Especializou-se em primeiros-encontros. “Aliás, quer coisa mais meiga e linda do que um homem perfumado com uma única rosa na mão?” Ela diz, sorridente.

Nunca alimentou a esperança de um segundo encontro.

E nem quer.

A terceira ponte

5 de julho de 2007

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Fala-me

5 de julho de 2007

Eu desconheço uma frase tão deliciosa quanto a que ouvi na primeira vez em que beijei uma mulher. O beijo foi intenso, verdadeiro, daqueles de ver estrelas, com cenário romântico, uma trilha sonora sincera e iluminação por contraponto, perfeita.

É, sou romântico. E sou um crápula, pode pestanejar o quanto quiser, mas a verdade é que esses momentos servem muito bem como coleções de sentimentalidades, armazenadas no setor da vaidade humana do meu coração.

Um espaço delicioso e reservado para as pieguices do amor. Bom de se perder por horas, escarafunchando todos os álbuns fotográficos imaginários e coloridos.

É uma busca que me faz gostar de lembranças — como a frase que ouvi pela primeira vez em que beijei uma mulher — e me inspira, de forma extraordinária, a entender como o mundo funciona.

Desses vai-e-vens ao fundo da minh’alma, entendi duas coisas primordiais. Uma, é que ninguém ama com menos de 18. No máximo uma paixão ou uma taradice. 18 anos é a idade mínima necessária para que alguns neurônios vitais para o amor terminem de se desenvolver. E isso é genética, não me venha criticar.

Outra coisa fenomenal é que a razão só aparece depois do juízo. Como o juízo só aparece depois do ciso, a coisa desbanca para o adultismo.

Estou bem nesse entrementes do juízo versus a chancela que me diz que um dia terei razão.

Aí penso na frase que me faz estremecer as pernas.

Muitas mulheres que gostei falavam.

As que eu quis namorar ou somente viajar ao lado em um ônibus leito, falavam com certa freqüência.

As mais inteligentes falavam.

As mais cheirosas falavam.

As mais belas.

Minha mulher fala.

Álbum: 47 anos de Brasília

3 de julho de 2007

Festa da comemoração dos 47 anos de Brasilia. Troca da bandeira, páraquedismo, balonismo, fogos de artifício.
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Champagne

2 de julho de 2007

Minha fantasia na adolescência era levar uma mulher para uma cabana nas montanhas, com lareira, ambiente insinuante, som tranqüilo e a penumbra ideal.

Alimentei essa idéia por muito tempo. E já que eu era adolescente, sempre rolava as famosas variantes “agentes-secretos”, “ninfetas taradas” e “carrões esportivos”. E esses sonhos distantes geralmente ficam arquivados e desbotam com o tempo, como as belas pernas da modelo do pôster.

Interessante é que surgiu uma oportunidade dessas.

Campos do Jordão, aquele frio gostoso de inverno, névoa sugestiva lá fora. Cabana grande, madeira escura, lareira de pedras brilhantes. Levei aquela mulher para dentro, paletó nas costas para protegê-la do frio. Deixei o ínfimo aparelho de som tocando um jazz muito tranqüilo, antes de sair. Ela gostou. Na verdade sempre gostava de chegar comigo em casa. A privacidade nos deixava completamente insinuantes e perigosos. Sentou-se no sofá, enquanto eu fui pegar um vinho para fechar a noite. Olhei para a lareira acesa, para o sofá à sua frente e para aquela mulher perfeita.

Era a minha própria fantasia de adolescente, lapidada em muitos devaneios do passado!

Na geladeira nada de vinho, apenas um Grand Damme comprado no mercado. E quer uma coisa mais abusada que um mercado que vende champagne francês? Deixei a garrafa ao lado do sofá. Sorrateiro, roubei um longo e delicioso beijo. Deixei-a nua em câmera lenta. Penumbra, janelas grandes para o nada, madeira por todo o lado, lua quase cheia, amarelecida pelo nevoeiro inconstante.

Espoquei a champagne. Fitei-a com a garrafa aberta. Sem taças! Com um canto de boca arqueado ela sorriu: sabia que aquilo era tara de adolescente espinhoso.

O vinho leve frisava sua boca. Ela sorria. Olhos fechados. Ela estava encabulada, oras! Mui raro uma mulher virar fantasia, não é? Um pouco da espuma adocicada desceu delineando seu pescoço. Mais champagne. Outro tanto desceu mais além, contornando suas curvas em todas as direções. E é claro que minha boca seguia cada uma daquelas trilhas geladas.

Foi uma longa e demorada degustação: grand damme avec une belle damme. E a fragância que pairava no ar enebriava-me de um jeito jamais sentido. Era o ápice de um desejo, de um fetiche, de uma fantasia há tempos amadurecida na adega de sonhos especiais.

A plenitude disso tudo foi quando os dois corpos caíram extasiados ao chão, depois de um embate intenso e único. Ela dormira em meus braços. Eu apenas contemplava aquelas curvas, que por muito confundiam-se com a sombra que o fogo trêmulo formava.

Naquela noite não consegui dormir.

Álbum: Florianópolis [2007]

1 de julho de 2007

Florianópolis e cercania. Swell mediano de sudoeste e sul que proporcionaram direitas rápidas e cavadas, algumas tubulares e 4 a 6 pés nos outsides. Boas nuvens nublaram quando necessário e o sol causticante agiu quando era para agir. Condições favoráveis para spy shots.
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Álbum: Fim de semana em Natal

29 de junho de 2007

Final de semana em Natal, RN, experimentando as passagens aéreas lowcost a R$1.
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O quase primeiro post

28 de junho de 2007

Esta é a minha história. Poderia começar de um hoje sem passado, é verdade. Mas descrevê-la sem relembrar passos importantes e pequenas vivências-cicatrizes seria abdicar das minhas mais absortas e elegantes manias viciais.

E assim recuo alguns anos interessantes.

Ao contrário dos grandes escritores, não serão vasculhamentos íntimos e profundos da alma, abertos em palavras sem cores. Nào sou Deus para isso. Sou imperfeito no relato de ser e sentir.

Minha vida fidedignamente relatada, um ponto importante e importante demais para mim. Entenderei — assim pretendo — o que fiz no passado e rezarei para que entenda mesmo.

Imaginei perseguir um ideal onde dinheiro, felicidade e amor estabilizasse minha vida. Hoje tenho medo da convicção que vivo. Interpretar é questão de escolhas. Interpretar a si mesmo é condição humana.

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MadCap não é um blog novo, não se iluda. É apenas um homônimo de um outro velho e experiente blog que eu mantive por uns 5 anos. Cansei dele, cansei de algumas pessoas chatas que por lá apareciam e davam as caras. Cansei das cores, das imagens retrabalhadas para combinar com duas ou três tonalidades que de nada me animavam.

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Eu também mudei de nome. Não sou mais eu mesmo. A fama me capou as idéias. Hoje sou o Ralph, um nome qualquer para me esconder da futilidade de não poder te mandar catar coquinho.

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Outra coisa: Meus textos são registrados na Biblioteca Nacional. Se você acha que pode roubá-los, só porque o outro blog morreu, não se iluda. Eu persigo plagiadores e escarneço-os sem dó nem complacência.

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Sim, continuo o amor de pessoa que sempre fui, agora com um toque de sarcasmo moderado. Acostumem-se.

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Vou encher de textos velhos e repetitivos aqui. São releituras do meu passado, apenas retrabalhados na gramática e ortografia. Aproveitem, sou bonzinho pacas.