MadCap.com.br é um blog pessoal. Um site onde pensamentos, fotografias, histórias, ilustrações ou qualquer outra coisa sem sentido é postada em uma forma cronológica. Só isso já explica tudo.

Arquivos do ano de 2007

Ensaio da vida corriqueira

9 de julho de 2007

(carta situada em um canto qualquer da cabeça de uma pessoa por aí, quase famosa, que posterga a realidade e a inspiração, por puro comodismo existencial. É para você, alter-ego.)

Prezado,

Eu sei que a morosidade faz parte da sua fama fétida. Todo artista tem seu momento de recesso, a fuga do mundo e a clausura no limbo do anonimato, não é?

Tenho apenas medo da sua potência fulminante. Prepotência, talvez. Você é uma pessoa forte e teimosa, tem nos pequenos momentos de ódio a catapulta certa para o vôo-acima.

É sempre assim: uma revanche de querer ter o poder sobre os pés, a razão e o controle.

Como você gosta de controlar! Doma o impraticável, racionaliza a sensação de loucura e intensidade!

Isso não te faz bem.

Não segure esse instinto criativo que sepulta ideias maravilhosas, dia-a-dia. Não reprima a pureza da si. Não perca a oportunidade de te satisfazer, de remontar seus sonhos derrubados por um vendaval de imprevistos sem importância.

Você era um cara que tinha apenas um terno risca de giz que custou muito. Tinha um computador portátil, fazia seus frilas para pagar algumas coisas. Era mochileiro, encrenqueiro, improvisador e bom vivant.

Viajava! Vivia o que muitos apenas sonhavam. O que muitos apenas sonhavam e jamais teriam um décimo da sua coragem para realizar!

Aliás, nem contar seus sonhos, você conta. Você ainda sonha? Não parece. Aquela pessoa que conheci, anos atrás, está se escondendo na propria sombra.

Mas acredito nesse resquício de gente, neste sopro de vida que ainda reluta em se debater na rotina salobre que sua alma se meteu.

Até acho que você ficou adulto de vez! Odeio adultos e você sabe muito bem disso!

Ainda faz brincadeiras?

Faz pessoas sorrirem com suas piadinhas de humor galeão britânico?

Imita cachorro com maestria? Buzina de fuque?

Não parece.

Deus? Ainda têm crença? Pior que perder criatividade é perder fé. E você sabe muito bem que quem alimenta a criatividade é a fé. E que a fé vem da curiosidade quase-infantil-quase-de-gato que circula por sua cachóla.

Se quiser, te ajudo.

Se não quiser, suma de vez. E não olhe pra trás, que te dou estilingada de mamona.

Felicidade e liberdade

9 de julho de 2007

Duas coisas importantíssimas que você precisa saber sobre felicidade e liberdade.

A liberdade sufoca; a felicidade, deprime.

E o pior: ninguém, em um estado normal e consciente de vida, está preparado para ser feliz e livre.

A liberdade é deveras incrível para pessoas normais.

A felicidade? Ah, a felicidade! Esta é sádica como ninguém.

Depois conversamos sobre isso.

Alea jacta separactum est

9 de julho de 2007

Bom, a coisa funciona mais ou menos assim: tudo está certo, a vida perambula alvissareira pelas rajadas de emoções que cruzam nossos destinos. Até o momento fatídico em que se erra o passo. Pisa em falso, A virada de pé que estrala e dói de imediato.

Aí meu caro, a sucessão de factos obscuros e mais improváveis que a sua mente civilizada e viril possa imaginar, acontece:

- O disparate no bilhetinho escrito e dobrado dentro do bolso do paletó.
- A foto no e-mail.
- O telefonema no horário mais esdrúxulo e errado possível.

Como não ceder?

Como tentar esconder?

O sentimento é horrível, e isso não tem nem como protestar. É uma contradição de sentimentos que se seguem, uma angústia e a falsa ilusão de que tudo terminará de uma maneira rápida e indolor.

O soluço no final da noite. A decisão de sair. A última olhada para casa, a última ré para sair da garagem de canto.

As coisas que vivemos! As viagens que fizemos, os segredos que só nós tinhamos em comum? Não tem mais como recuperar. Aí Você olha para alguns detalhes incríveis, lembra de fatos engraçados, do “Topo qualquer coisa contigo!” das peculiaridades. As crises. Os furos. Até os piripaques eram engraçados. Engraçados porque no final a gente sabia que era coisa momentânea e com um pouquinho de sacrifício o mundo ja estaria reconstruído.

Só que relembrar essas coisas felizes é constrastar com a realiade. O desgaste, O despreparo. A insegurança. Deméritos impraticáveis e insustentáveis.

A gente evolui, e isso não tem como deixar de perceber.

Agora não evoluir junto é minar a própria existência.

Não que seja um defeito. Eu te conheço como ninguém.

Mas a vida segue em frente.

Você não será a primeira. Muito menos a última. Entenda que eu gostei de ti, mas não amei.

E tenha em mente que — apesar da cretinice e insensatez — a separação definitiva sempre é a melhor coisa que poderia ter acontecido.

Alimentemos as lembranças: atenue os momentos ruins; enalteça as boas coisas.

Assim teremos um bom passado para relembrar.

Só isso.

Busca inexpressiva

9 de julho de 2007

O pessimismo existencial

6 de julho de 2007

Tem um monte de gente que acha que sou um babaca egocentrista ou um pessimista inveterado, um sujeito baixo e descriterioso que não gosta dos humanos só por não gostar mesmo. Birrento.

Então vou contar porque sou o cinismo em pessoa.

A verdade? Eu não me importo — e estou sendo o mais sincero possível — com o mundo cotidiano. O dólar subiu ou desceu? Não sei. O presidente conseguiu a reeleição? Parabéns para ele. Não quero saber se o governo boliviano roubou a Petrobras. Ela não é minha, não tenho ações dela. Não me interessa se o terror está deixando os americanos mais neuróticos. Pouco me importa se morrem 80 ou 120 pessoas em Bagdad, por dia, porque explodiu dois carros-bomba. A amazônia está sumindo em uma proporção incrível. Meus pêsames para ela. Fico apenas com dó dos orangotangos, elefantes e girafas que por lá moram.

Tentei, por dez anos, mudar o mundo. Juro! Fiz de tudo. Fui bonzinho, caridoso, atencioso, protestante, ativista, grevista, petista, comunista, vanguardista, causista, greenpeacisista, filantropo e atônito. E de nada resolveu. O mundo continuou cruel! Os muçulmanos continuaram a guerra santa. A fome aumentou. A AIDS matou mais do que deveria. Ajudei, bem ajudado, umas 30 pessoas, uns 5 cachorros, 12 árvores que nasceram dentro de um saco e invariavelmente morreriam sem minha intervenção. E quer saber? De nada adiantou.

O Brasil está uma merda. O povo brasileiro é a raça mais desgraçada que poderia existir. Odeiam a terra em que vivem. Mijam nos monumentos, apodrecem a pátria. Pasmem: alguns sabem cantar o “Star Spangled Banner” mas não sabem o que é o lábaro que ostentas estrelado. São americanos em pele de latinos. Veneram RBD, JayZ, J.Lo, 50Cent e desconhecem o maracatu atômico ou o cordel do fogo encantado.

É a placa ali no semáforo, mais cínica do que eu, que diz: “Esmola não dá futuro!” mais abaixo, em letrinhas miudas: “Não alimente o narcotráfico, o comércio ilegal de armas, o tráfico de escravos” “Não alimente os animais indigentes”

É o mendigo que não sabe seu próprio nome, data de nascimento, o que é, realmente.

É a mulher nojenta que ostenta a soberba incrível ao xingar o vendedor de panos alvejados na janela do seu carro blindado.

Hoje não tolero muita coisa, mas dou R$10 para um mendigo no sinal. Aliás, dei meu guarda-chuva bonitão, escocês, que me acompanhava há 10 anos, para um menino que estava na chuva. A cara de felicidade dele valeu muito mais do que qualquer sorriso humanitário que já existiu.

O mundo é marginal, meu filho.

Está caótico. Os bandidos são muito mais malvados do que você imagina. Não acreditam mais em Deus. Acreditam em um canela-seca enferrujado que botam na cintura. Os ladrões abrem seu carro em 3 segundos. Os larápios da internet secam sua conta bancária em 12 segundos. Os seqüestradores-relâmpagos passeiam a noite inteira contigo dentro do seu próprio carro e você não vai saber, ao certo, se sairá vivo ou queimado dessa merda toda.

Orkut para ver a desgraça que a vida das pessoas que conheci em um passado remoto se tornou. Aliás, como tem gente que não evoluiu patavina nenhuma!

Aliás, o Orkut tem uma comunidade que coleciona perfis de pessoas que morrerram. E quanta gente está lá, como urubus, esperando o próximo morto para desejar um “descanse em paz”!

As pessoas gostam de ver tragédias. Gostam de ver carros batendo. Gostam de ver gente morta. Curtem jornais-carnificina.

Pornografia. Putaria desenfreada. Sexo, drogas e rock no sentido mais lascivo e promíscuo. Mulheres-objeto, fotografias amadoras com as câmeras digitais em motéis furrépas de R$5 a hora.

Quanto mais, melhor.

Maconha e pinga para ficar doidão. E perder a realidade que pinica as ventas.

Essa é a humanidade de hoje.

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Não escrevo mais como deveria. Talvez porque fiquei velho. Todas minhas histórias eram reais demais, e eu não sei mentir. Nunca menti. Sempre vivi da realidade crucial que beirava a verdade. E isso me matou justamente porque acabou minha experiência de vida. Apenas alguns pequeninos trechos cotidianos sobreviveram.

Meu videogame é mais expressivo. Minha coleção de DVD´s é mais expressiva. Meus desenhos morreram, minha criatividade espreita melhores dias. E espera com paciência.

Dias atrás pensei em mudar para um serviço de blogs gratuitos. Fiquei na eterna dúvida da dicotomia existencial blog gratuito X www.R$330-por-ano.com.br.

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Bah, esqueça. Eu minto, e minto muito. A base da literatura é a mentira. A falácia, o desencontro real da vida presencial.

Eu escrevo muito. Adoro escrever, e isso é um processo bem desencadeado.

O problema é a realidade.

É a falta de discernimento entre o certo e o errado. Entre avançar e esperar a hora.

É a teimosia de tentar escrever ou desenhar coisa belas e inteligentes, enquanto a massa anda na contra-mão disso tudo, à sotavento, enquanto eu teimo barlavento.

Meu mundo é muito grande. Conheço toda a escuridão podre e fétida. conheço o feio, o subversivo, a morte que ronda todos, a corrupção, o suborno, os sete pecados capitais, os maconheiros, os traficantes. E conheço a luz, a seda, a alvura, o brilho do cabelo sedoso, a paz, o cheiro de banho tomado, a música compassada, a inteligencia, os bons costumes, o respeito e a ternura.

Ainda assim, gosto mais da bela vida justa e sincera.

Tenho esperanças, tenho fé, o que são, no fim das contas, coisas boas.

Carta para pôr fim em relacionamento

6 de julho de 2007

Dias atrás prometi que ajudaria aos 203 visitantes ocasionais que o Google despeja aqui no Blog a escrever “cartas de final de relacionamento”.

Não vou mais.

Não estamos mais no século XVIII, onde cartas lambrecadas à sinete faziam as vezes presenciais. Hoje em dia um relacionamento é bem mais dinâmico do que palavras escritas, meu caro. Precisa do charme do contato, da discussão cara-a-cara. Dos gritos, do chiliquinho.

Esse é o charme de um final de relacionamento!

A briga, o tapão na cara. A unhada no braço. O carro em disparada, rua abaixo. O “Eu te odeio!” grunhido por entre os dentes. A foto rasgada com uma ferocidade pecaminosa.

Final de relacionamento é a perfeita arte do fechamento do ciclo. A linha de corte do amor e da paixão. E não me venha dizer que pode existir uma amizade ou carinho depois. Isso é coisa de quem não tem maturidade.

Manutenção mensal? Fraqueza.

Trocar pneu em dia de chuva, para ela? Fraqueza.

Atender telefonema meloso em madrugada fria? Fraqueza.

PORQUE NÃO AJUDAR
Quem procura uma carta de final de relacionamento não tem discernimento do que escrever. Não deve nem saber porque está terminando, e o pior, não tem culhões para uma peleia passional. Postar uma bela carta aqui seria afundar no lodo mais ainda o vivente. O destinatário saberia dessa incapacidade e o atestaria da mais vil e insossa incopetência.

Conheci apenas uma carta muito bem escrita, por George Gordon Byron, datada de agosto de 1812, para meter fim em relacionamento com uma luva de pelica. Como ele era um notório putanheiro, não se sentiu bem em manter um relacionamento.

Culpou a sogra, é claro.

Agosto de 1812

Minha queridíssima Caroline.

Se lágrimas, as quais você viu e sabe que eu não estou apto a derramar, se a agitação na qual eu me separei de você, agitação esta que você deve ter percebido durante todo nosso nervoso caso de amor, não começou até que o momento de deixá-la se aproximou, se tudo o que eu tenho dito e feito e ainda estou muito pronto a dizer e fazer, não foi suficiente prova que meus reais sentimentos são e devem ser sempre para você, meu amor, eu não tenho nenhuma outra prova para oferecer.

Deus sabe que eu desejo você feliz e quando eu terminar meu relacionamento com você, ou melhor, quando você tomada de um senso de dever para com seu marido e sua mãe me abandonar, você reconhecerá a verdade daquilo que eu novamente prometo e juro: que nenhuma outra em palavra ou ação jamais tomará o seu lugar em minha afeição, que é e será mais sagrada para você até que eu não seja nada.

Eu nunca soube até aquele momento a loucura de - minha querida e mais amada amiga - eu não posso me expressar - este não é o momento para palavras - mas eu terei um orgulho, um prazer melancólico ao sofrer, o que você mesma pode quase conceber - pois você não me conhece, eu estou quase indo com com o coração pesado porque minha presença nesta noite deterá qualquer estória absurda que os acontecimentos de hoje poderiam ter levantado - você pensa agora que eu sou frio, severo e astuto - mesmo outros pensaram assim, mesmo sua mãe pensará - aquela mãe a quem devemos de fato muito sacrifício, mas muito mais de minha parte, do que ela jamais saberá ou possa imaginar.

"Promessas de não amá-la" . A! Caroline, são promessas do passado - mas atribua todas as concessões ao motivo adequado. E nunca pare de sentir tudo o que você já presenciou - e mais do que possa algum dia ser conhecido somente pelo meu próprio coração, talvez pelo seu . Possa Deus proteger, perdoar e abençoar vocês sempre e para todo o sempre.

Seu mais apaixonado
Byron

PS. Estas reprovações que dirigiram você para isto - minha queridíssima Caroline - foram não somente para sua mãe e a bondade de todas as suas relações. Existe qualquer coisa no céu ou na terra que me faria tão feliz como tê-la feito minha há algum tempo atrás? Não menos agora do que então. Mas mais do que sempre neste momento você sabe que eu com prazer desistiria de tudo aqui e tudo além do túmulo por você - e abstendo-me disto - devem meus motivos serem mal-entendidos?

Eu não me importo quem sabe disto e que uso é feito disto - é a você somente que eles devem, eu fui e sou seu livremente e completamente para obedecer, honrar, amar - e voar com você quando, onde e como você mesma poderia e pode determinar.

Entendeu como funciona? Você precisa ser muito, mas muito bom mesmo, para terminar um relacionamento apenas com uma carta. Precisa parecer muito mais honesto do que é, mais deprê do que aparenta e o pior, aplicar a delicadeza sensata que jamais se monstrou até então.

E, hoje em dia, quem procura carta de final de relacionamento não sabe nem por onde a galinha mija.

O longo conflito sobre o que nos cerca

6 de julho de 2007

Voltei de avião para Brasília. Não chamaria nunca Brasilia de casa ou lar ou qualquer coisa que se referisse ao meu lugar. Não tenho mais raízes. Brasília, Timbuktu, Curitiba, Florianópolis, Vutuvuru dos Bento. Todas, um quintal temporário.

Virei um cidadão do mundo. Lá em cima, entre as nuvens que insisto em olhar da janelinha graxenta do avião, descobri que a razão não é mais temerária. As fronteiras vivenciais sobrepujam qualquer expectativa de fixar-se em algum lugar.

Neste carnaval, nada foi diferente. Viajei para o sul do país. Encontrei alguns amigos e meus pais. Nossa conversa evoluiu muito, deixamos de preocupações e vivenciamos a filosofia descompromissada.

Meu mundo não atrai mais a saudade. Meu caminho não é mais a ida e a volta, sequer existe a dinâmica de movimentos.

Apenas ando por aí. Um passeio com a certeza de que tudo se repete em um ciclo perfeito de prazer e alegria.

Tenho mais sorte hoje em dia. Encontro lugares, pessoas e situações que não acreditaria se eu contasse para mim mesmo, anos atrás.

A vida está cada vez mais complexa e inteligente. Ao meu redor, uma aura de proteção divina e uma exultação espiritual intensa. E isso tudo é apenas uma reação espontânea da vida, respondendo na lata quem eu sou, na verdade. Não consigo mais ver o lado ruim das coisas. Descobri que minha visão não era (e talvez nunca foi) perfeita. Tenho um tréco na córnea. Nem o nome eu lembro mais. Talvez eu tenha que usar óculos, lentes rígidas, quiçá fincar anéis de Ferrara no meio da minha íris ou transplantar uma córnea (“Mas não se preocupe com isso” disse-me a doutora).

E isso não me faz perder 1 minuto sequer de sono.

Meu mundo melhora a cada segundo. Exponencialmente, devo dizer.

Minha mulher é sensacional.

Gosto das minhas fotos.

E os pequeninos milagres alvissareiros recheiam de boas novas minha vida. Transformam-se em uma cúpula de sentimentos inalienáveis em volta desse mundinho de merda que muitos vivem sufocados.

Quer ser pessimista? Suma de perto de mim. Quer ser um materialista compulsivo? Suma. Tarado, infiel e insensato? longe, sivuplé. Não dependo mais de uma vida abusiva ou ancorada. O dinheiro é bom, mas vicia. O dinheiro bem gasto em ações inesperadas, é prazenteiro. Dinheiro não é pecado. Lamber os pêlos e as bolas dos bichos que o estampam é que é.

A vida é assim. Quanto mais complexa e intrínseca, mais simples ela é. Contraditória e inverossimil, inacreditável como toda vida deveria ser.

Como toda vida deveria ser.

Na fase do por quê das coisas

5 de julho de 2007

Gosto da história mundial por me apontar duas nuances decadentes e estratégicas: a questão épica social e a forma incrível de intolerância humana.

A dicotomia paz versus guerra, para ficar mais claro.

Desde os abilolados troianos, passando por caldeus, Davi e seu exército voraz, kamikazes lascivos e loucos até americanos que matam árabes por controle remoto: todos, fascínoras exterminadores, movidos por desejos imcompreensíveis e inestimáveis.

Fases mórbidas, perfiladas no seu dia-a-dia por sangue coagulado.

Dessa guerra também há alguns recantos de sossego e trégua, que adoro observar: épocas morais de sanidade mental em que a pornografia vira arte erótica, a religião torna-se não uma súplica aos bons e salvadores milagres da vida diária, mas sim um discernimento de gratidão eterna.

Afloram-se as Artes, a ciência, a criatividade, a remodelação nuclear, metais mais resistentes e leves, aparatos tecnológicos, a necessidade de testes.

E a guerra acena novamente na esquina, sorrateira, com um sorriso maquiavélico e profético.