MadCap.com.br é um blog pessoal. Um site onde pensamentos, fotografias, histórias, ilustrações ou qualquer outra coisa sem sentido é postada em uma forma cronológica. Só isso já explica tudo.

Arquivos do ano de 2007

Busca-amores

16 de julho de 2007

Sabe porque muita gente procura o amor e não acha nunca?

Porque amor não é sentimento para se procurar, oras bolas! Amor é estado d’alma, é simples resposta de um viver imensamente superior.

E esse viver significa que não é necessário estudar, achar um emprego legal, estabilizar tudo para aí sim catar o amor pelas ventas. É aquela velha desculpa de arrumar um amor para ser feliz, quando, na verdade, o amor é apenas um resultado disso.

E amar significa resplandecer-se em em uma felicidade de vida. Nada mais que isso.

Devaneios — Bilac

16 de julho de 2007

Aos doze anos recebi a agoniante missão da belíssima professora de literatura: fazer um trabalho sobre o Parnasianismo.

É claro que como todo bom aluno apaixonado pelos belíssimos olhos amendoados daquela esvoaçante russa erradicada, o trabalho deveria ser perfeito. Aprofundei-me aos devaneios poéticos-literários, conheci Parnaso, o deus mitológico. Soube de relance que a poesia parnasiana devia pintar objetivamente as coisas, sem demonstrar a emoção, o que era feito caracteristico do romantismo.

Dificil era a leitura de Olavo Bilac. Desvendar as complicadas expressões de Raimundo Correia então! E noites afora biografias, poemas, enciclopédias de literatura caiam em minhas leituras. Emprestei de uma tia o livreto de normas para apresentação de trabalhos técnicos e científicos. Aprendi com a ABNT a defender uma tese e como seguir uma linha de pensamento lógico.

Ao final de duas semanas, a obra estava pronta: Serigrafia com o auxilio do pai gráfico de um colega uma caricatura colorida de Bilac na capa do trabalho. Redigi cuidadosamente as 14 páginas introdutórias burocráticas, dentro das normas.

E o dia tão esperado chegou. Vi colegas que apresentariam trabalhos sobre barroco, romantismo e arcadismo com míseras páginas grampeadas porcamente. Assisti pacientemente a apresentação dos tolos que sequer sabiam o que falavam. Apenas liam textos insossos e decorados.

A vez de apresentar encheu-me de ansiendade. Deixei a proposição do teorema ao colo da belíssima professora. O volume era de se impressionar: mais de cem páginas compunham a obra que apresentava uma chamativa e bem elaborada capa semi-transparente, caricaturada.

Quinze minutos destinados ao parnasianismo. A professora, incrédula, folheava o trabalho, sem prestar atenção ao descurso sólido. Interrompera, queria saber o que significava aquela frase estranha na dedicatoria do livro:

“Aos beócios humanos que não entendem a imane arte mordaz.”

Sorri, é claro! Disse-lhe que era referencial aos colegas de classe que passariam a vida rindo, sem nunca entender o que se passara.

A professora sorriu. Sabia o que significava. E o meu escarnecedor sorriso fez perceber que naquele ambiente o conhecimento havia sobrepujado toda a horda de colegas infinitamente inferiores ao conhecimento adquirido. E de lá para cá cada vez mais alguns textos meus vêm supridos de um trágico – mas glorioso vício – de enxertar doces devaneios tolos por tudo que se escreve.

Fuckn´Rockstar

16 de julho de 2007

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Vida de pressa

15 de julho de 2007

Aquele homem ali tem na pressa a razão de viver. Morre de fome todos os dias. Fecha os olhos em atalhos de sentimentos ou respira à manivelas. Os olhos, os risos e a preguiça não convêm.

Ao homem que tem na pressa a razão de viver, boa-sorte.

Vive uma vida de merda.

Vicissitude II

15 de julho de 2007

A vida é sempre — normalmente — vicissitudinária e, quem percebe esta realidade dinâmica e maravilhosa não fica aborrecido. Vicissitude é dinamismo. Não existe nada equilibrado. A realidade não pára. Quando as coisas páram, cessa a vida, acabam as possibilidades. Vicissitude é possibilidade e quem percebe, como o menino do texto abaixo, pode sintonizá-la para desenvolver um mundo próprio. Quem sente medo do desequilíbrio tenta fugir da realidade. A fuga da vicissitude é fatal, mas quem a enfrenta, corrigindo sempre o itinerário, pode encontrar seu processo vital.

Vicissitude é simultaneidade. Só isso: uma palavra bonita e simultaneidade.

Vicissitude

15 de julho de 2007

Era um final de tarde qualquer em que o menino escrevia sua redação. Entregaria sem falta, dia seguinte, no grupo escolar. Esmerava-se em escrever com letra nédia, caligrafia impecável. Mas seu texto borrava! Também canhoto, quer o quê? É que tal capricho na hora de redigir tinha um motivo muito especial: a professora era graciosamente perfeita. Lábios carnudos, olhos verdes, grandes, brilhantes.

Ouvira dia desses no sermão da missa dominical a palavra vicissitude. Não prestou atenção no sermão em si, apenas na palavra, que circulou livremente por seus devaneios. Resolveu aplicá-la. Era a deixa para impressionar a bela professora!

Escreve daqui, rabisca de lá. Não tinha idéia do significado vicissitudeano. Sem dicionário em casa. Fragmenta a palavra: prefixo deve ser vida. Sufixo? Fácil: atitude. Pronto, vicissitude era adjetivo que enalteceria o ego da professora!

Escreveu, caprichou muito. Leu em voz alta, arrumou redundâncias. O discurso estaria impecável, leitura obrigatória à frente de todos na classe.

E o amanhã chegou, suas palavras pairaram majestosas fronte aos carismáticos e envolventes olhos verdes da professora. Ela leu silenciosamente. Seus olhos saltavam palavra a palavra, balbuciando imperceptivelmente. Ao terminar, esboçou um inédito sorriso, prontamente memorizado aos vastos sorrisos já colecionados. Ela docemente explicou ao menino que vicissitude não era um adjetivo grandioso, apenas contratempos ou problemas que ocorrem durante uma ação.

Apesar de surpreso com a nova significância, o menino estava feliz e pensativo. Sabia que a palavra que tanto gostava acabou tornando-se a própria ação. A contradição de um belo texto, com uma linda palavra causou o sorriso inédito. E para ele isso foi a melhor recompensa.

Spirit of Flowers

15 de julho de 2007

Mais da mesma linha tênue que até então separava a pequenina verdade estratosférica: um amor irradia prazeres e sentimentalidades. Uma fragrância indelével assemelhava-se a mirra, acredito. A forte sincronia eterna ali firmou-se de uma cumplicidade quase silenciosa, percebida apenas por uma leveza na oscilação das suas pupilas. Suas pupilas magnificas de olhos verdes-castastanhos-verdes. Conversa de corpo e alma, amores-alegrias e batalhas. Batalhas? Sim, Sempre a eterna e verdadeira guerra de bem e mal, clarão e escurdez. Dois-em-um, guerra e inteligência. Duas almas, um sentido e apenas o amor que quase sempre percorre paralelo. Quase sempre. Porque fundir-se é um exercício de intensidade e razão-emoção.

Louco das Paineiras

15 de julho de 2007

O poeta louco apenas fitava velhas paineiras tortas fronte a fonte seca de um rio volúvel. Não tinha a filosofia nem a perspicácia de um pensador. E as paineiras tortas fronte a fonte apenas as eram… paineiras! Não as chamava de utopias nem ideias sentimentalistas.

O poeta louco sabia que aquelas paineiras vistas por lindos olhos azuis de uma mulher aquém não seriam nunca, paineiras. O “nunca” é o que se vê quando a lucidez tormenta o louco das paineiras tortas, rôtas paineiras.