MadCap.com.br é um blog pessoal. Um site onde pensamentos, fotografias, histórias, ilustrações ou qualquer outra coisa sem sentido é postada em uma forma cronológica. Só isso já explica tudo.

Arquivos do ano de 2007

Speed Racer my ass

20 de novembro de 2007

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Personificando F.Pessoa

12 de novembro de 2007

Hoje, como d´outras amargas vezes, recordei do passado perdido que escapou das minhas mãos.

Uma bela época que agora fita-me por um belo espelho d´água vertical, por olhos de um outro que fui e que agora há de me escarnecer.

Chacoalha a cabeça em tom de repreensão enquanto me olha da cabeça aos pés. São as roupas que uso agora, não é? É o corpo cansado e a melancolia que me escapa pelos movimentos e olhos, reações e consentimentos. E isso é uma bela de uma intimidação perante um ragazzo altivo e forte — lobo de seu destino.

Vitoria e derrota da própria essência, pelos céus e infernos terrestres. Simples competição vivencial, por assim dizer. Diluo inveja com tristeza e percebo os limites exactos do seu desapontamento primordial. Tento me desculpar, polido, mas ambos sabemos que é desnecessário por ser em vão. Sinto um profundo mal-estar de um banzo por uma terra que não existe mais, pois ele sabe de todos os meus pensamentos obscuros e de tudo pelo que passei e cedi para estar aqui, apenas existindo, sobrevivendo em um ritmo cada vez mais difícil, porém compulsório. Minhas loucuras são hoje medíocres e meu élan transformou-se em conformismo denso, moroso e sufocante.

E aí a me pergunto onde estou e o que realmente preciso fazer para respirar. Encontro-me no meio de um caminho que desmorona atrás de mim, e então sou obrigado a correr para não ceder junto, meu Eu amigo.

Sei que a tua alegria definhou em mim, mas vaga nos limites demarcados pelo que fiz, pelo que fui. E é essa a beleza da reconstrução de um passado perfeito: fica intacto e cristalino como a memória que me trai reiteradamente; não pela falha, mas pela clareza e precisão em me mostrar um claustro que eu mesmo ergui à minha volta.

Não tenho uma fração da minha coragem de outrora: tenho medos multiplicados, receios infindáveis.

Assusto-me até com o que sou, dentro da minha pele de um animal domesticado e à caminho da imolação. O que tenho pela frente, senão uma longínqua esperança de guinar minha marcha e sair pelo prado da liberdade?

Aprendi que lonjuras são vencidas até com a fraqueza do ânimo, e a minha distância para a mudança tem agora o tempero da minha vontade. Ouço ao longe os tambores de um novo combate que se anuncia. O combate entre a inércia e a vida. Vida, vida, prepare casa que estou de volta! Com todos os sons e com toda a energia que agora mostra faíscas dentro dos meus olhos e centelhas que esbaforam ao meu ofegar.

Do velho espelho de água que me refletiu, nada me importará o passado, do reflexo que fez dobrar meu medo sobre si mesmo.

No espelho d´água do Memorial JK

12 de novembro de 2007

garça

Álbum: Randomic Issue #4

5 de novembro de 2007

Quarto (Ualah!) álbum da série que coleciona váríos fotogramas aleatórios e sem temas definidos, reunidos em uma balaiada disconexa e elegante.

Veja as fotos aqui »

Formalidade no Cerrado

31 de outubro de 2007

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O Camaleonte de terno Henry Needle & Sons

30 de outubro de 2007

O camaleao de terno Henry Needle & Sons
O camaleão (Chamaeleo chamaeleon), ao contrário do que todo mundo pensa, não é um ser mimético-dinâmico. Apesar do fotocromismo epitelial, não consegue se desenhar em um traje formal, o que o torna um cidadão como outro qualquer. Gosta do corte rigoroso tailor-inglés. Mimetiza com as gravatas: estampas, cores e texturas, ah, estas sim, ele imita com perfeição.

Fidalgo de ministro-desembargador-ajuizado do terceiro prédio espelhado do setor de altarquias sul, o camaleonte inequívoco mostra-se seguro na sagacidade parternal que o cerca. Aplica com êxito danoso a carteirada que o transforma em autoridade-de-caserna.

Tem no repertório as frases claustrofóbicas: “Sabe com quem está falando? / Sabe filho de quem sou eu?”. Exerce seu direito em paz. Até hoje não existiu calango que o peitasse. Fuma tranqüilo uma cigarrilha de filtro de carvão ativo em ambiente fechado. Lambe as costas de mulheres em boates, com sua rápida língua de 23 polegadas. Gosta do salzinho do suor sabor quelque parfum. A lei não é para ele, definitivamente.

A joaninha-Macho Cannibalis

29 de outubro de 2007

A joaninha macho canibalis

O Ferret do costume Hermenegildo Zegna

26 de outubro de 2007

O furão do costume Hermenegildo Zegna
O Furão (Mustela Putorius Furo) tem pescoço fino e é infeliz com golas italianas. Prefere as gravatas pretas, das mais baratas possíveis. De um rosto arredondado e orelhas débeis, possui cabeleira rôta e grandes olheiras tórpes. Mexe o nariz de forma estranha e promíscua. Lembra uma ratazana admoestada.

Prefere carros com bancos anatómicos, pois tem lordose acentuada e cômica. Sente-se confortável com a capa de bolinhas de madeira no costado do assento.

O furão é rápido: de olhos furtivos, procura por brechas e espaços rápidos em vias de pista dupla e tripla. Não demonstra vergonha alguma ao utilizar vias de escape, desaceleração ou acostamento para lograr economia de tempo. Cria segunda e terceira fila, mas sente-se profundamente molestado ao perceber que outrem tomará seu lugar, acelerando como louco. Perde o dia, quando alguém o ultrapassa. Não usa as setilhas de pisca-pisca do carro para avisar qual pista decidiu trocar, aumentando assim as chances de sucesso em uma manobra ousada.