Sim, assim como sonho, amo sim. Amo porque amar é, como queira, outra espécie de sonho. Um sonho colorido, cheiroso e lento como a bruma. Sonhos diferentes, mas mesmo assim, sonhos bons.
Arquivos do ano de 2007
Crescimento consciente
22 de julho de 2007
Sempre tive em mim variados estados de sensações. E as sensações, dominadas, pareciam menores e controladas, muito aquém das probabilidades em que a consciência agia.
Agora, sensações estas pequeninas e simplórias mudaram.
Maiores que minha consciência. Amplas, arejadas e independentes. E isso deixa os não-tão-grandes pensamentos mais exigentes. A consciência, tenta e tenta. Mas não há duelo. Sensações sempre são elegantes demais para simples desentendimentos infantis.
O que vale a pena?
21 de julho de 2007
Quando se ama, o que vale a pena não é o amor em si, mas tudo o que conspira em volta dele. Amar é ter o poder necessário de compreender claramente tudo. Olhar com outros olhos a dor, imaginar a fé, possuir e perder-se nas mãos de quem se deseja.
Amar é imaginar a realidade e ter uma idéia precisa e intacta da razão.
Ainda que tudo isso seja sem razão alguma.
Jasmins
21 de julho de 2007
O perfume quente do jasmim era forte. Vezes que não os deixavam respirar. Uma varanda de azulejos portugueses, desenhos em azul queimado. O calor, intenso. Na pequenina cerca algumas miúdas flores trepadeiras aproveitavam a leve fragrância.
Gabavam-se como se fossem delas.
O jasmim não se importava.
Álbum: A labradorinha sem nome
20 de julho de 2007
Fotos da Labradorinha sem nome, a cachorra que era para ir, não foi, ficou e acabou por criar laços afetivos de um modo não convencional.
Veja as fotos aqui »
Galanteador
20 de julho de 2007
Galanteador não é título adquirido, tão pouco herdado. Galantear é arte, como é arte escrever disparates amorísticos em festas. Para ser um galanteador, há de se convir que esperteza, sofismo e muita inteligência são requisitos natos. Galantear é ser carismático com segundas intenções, é conhecer o amor racionalmente.
Rotina
20 de julho de 2007
Dia-a-dia: amargo Fernet com pinga de alambique. Amargo e pinga, amargo e pinga.
Assim Euzébio bebeu seu desespero, Arantes tragou a solidão, dito-e-feito, amigo de Arlindo sucumbiu à carraspana.
Amargo Fernet e pinga, pinga e um pouquinho de limão para oxidar.
Aos cacos de mim
20 de julho de 2007
O desejo traz uma lembrança um tanto quanto irresistível e triste do que ainda não fui. E no meu acalento desalmado — porém irresistível — conheço a saudade que me dói, corrompe e me faz assim, levemente sofrer.
Traz desejo, ainda que sorrateiro, uma palavra que não se deixa audível, uma palavra que faz as vezes de tudo e me faz sofrer.
E se traz, que mate de uma vez o que não é mais meu. Assim não luto nem insisto. Apenas, aos cacos de mim — e quem sabe do coração, ora, por que não? — mostro o quanto sou freguês, vulnerável e seu.
Só assim, para que assim, me seja isso.

