ALBUM: VILLA BOA DE GOIAS [2006]

terça-feira, 26 de junho de 2007 | 3:28 pm

Um passeio pela cidade de Goiás, GO, antiga capital do estado, hoje uma cidade pacata e tombada, patrimônio histórico da humanidade.
A coisa funciona mais ou menos assim: você pega seu veículo, equipa-o com uma gasolina boa e segue o mapa rodoviário da banca. Na primeira cidadezinha (que nem no mapa está) a estrada acaba, não há placas. E é aí que a parte interessante da viagem começa.
Abaixe o vidro do carro, desligue o ar-condicionado, saia do seu mundinho cheiroso e correto e pergunte o caminho. A enxurrada de respostas desordenadas, criativas e inesperadas são fenomenais! Um pouquinho de paciência dentro das ruazinhas e voilá! A estrada recomeça novamente.
Foi mais ou menos assim que fomos de encontro à cidade de Goiás, a antiga e outrora capital do estado homônimo.
Um museu interiorano ao ar livre, por assim dizer. Mais de 400 casas históricas tombadas, igrejas dos séculos XVIII e XIX, muita gente disposta a conversar. Casarios de portas abertas, janelas escancaradas. Uma passeio rápido pelas ruas revela todo o voyeurismo explícito nas espiadélas dentro dos cômodos, as penteaderas com espelhos trabalhados, as salas de móveis antigos. Um mundo à parte, espalhado pela curiosidade e boa mira.
Encontramos almoço em fogão à lenha. Arroz de puta rica. Bolinho de arroz. Sorvete artesanal do Moisés, o melhor (e mais barato) da cidade. Uma rádio, acima dos interesses políticos e abaixo da vontade de Deus, onde artistas tocam ao vivo. O “seu” Jair Figueiredo, figura única do mercado municipal. Ele tem um museu de quinquilharias, coisas de preços para lá de pitorescos. A cabeça de onça genuína, empalhada? R$1.500.000,00; um grilhão genuíno dos escravos? “Baixo o preço para você: R$1.200.000,00.” Uma cabeça de escafandro? Sim, mas só a cabeça. E por R$1.000.000,00; o corpo ele vendeu para alguém. Uma pistola alemã totalmente enferrujada e travada, Parabellum 7,65? R$25.000,00. Com meia hora de conversa fiada, consegui baixar em 10.000; “Fiz meu preço, quero ver a sua coragem de dizer o seu!” E é assim que a liquidação, desde 1971, instaurou-se no box do homem que diz-se parente próximo do finado presidente Figueiredo. E deve ser.
Vale a visita. Vale os 12 litros de água que você provavelmente irá beber por dia. Vale os R$10,00 que você pagará a mais pelo ar-condicionado do quarto do hotel ou pousada. As ruas à noite, a tranquilidade, a ingenuidade, a pureza e simpatia do pessoal. As histórias e a boa-vontade que te acolhe e se deixar, o dedo de prosa e histórias que contarão com a maior naturalidade.
A coisa funciona mais ou menos assim: você pega seu veículo, equipa-o com uma gasolina boa e segue o mapa rodoviário da banca. Na primeira cidadezinha (que nem no mapa está) a estrada acaba, não há placas. E é aí que a parte interessante da viagem começa.
Abaixe o vidro do carro, desligue o ar-condicionado, saia do seu mundinho cheiroso e correto e pergunte o caminho. A enxurrada de respostas desordenadas, criativas e inesperadas são fenomenais! Um pouquinho de paciência dentro das ruazinhas e voilá! A estrada recomeça novamente.
Foi mais ou menos assim que fomos de encontro à cidade de Goiás, a antiga e outrora capital do estado homônimo.
Um museu interiorano ao ar livre, por assim dizer. Mais de 400 casas históricas tombadas, igrejas dos séculos XVIII e XIX, muita gente disposta a conversar. Casarios de portas abertas, janelas escancaradas. Uma passeio rápido pelas ruas revela todo o voyeurismo explícito nas espiadélas dentro dos cômodos, as penteaderas com espelhos trabalhados, as salas de móveis antigos. Um mundo à parte, espalhado pela curiosidade e boa mira.
Encontramos almoço em fogão à lenha. Arroz de puta rica. Bolinho de arroz. Sorvete artesanal do Moisés, o melhor (e mais barato) da cidade. Uma rádio, acima dos interesses políticos e abaixo da vontade de Deus, onde artistas tocam ao vivo. O “seu” Jair Figueiredo, figura única do mercado municipal. Ele tem um museu de quinquilharias, coisas de preços para lá de pitorescos. A cabeça de onça genuína, empalhada? R$1.500.000,00; um grilhão genuíno dos escravos? “Baixo o preço para você: R$1.200.000,00.” Uma cabeça de escafandro? Sim, mas só a cabeça. E por R$1.000.000,00; o corpo ele vendeu para alguém. Uma pistola alemã totalmente enferrujada e travada, Parabellum 7,65? R$25.000,00. Com meia hora de conversa fiada, consegui baixar em 10.000; “Fiz meu preço, quero ver a sua coragem de dizer o seu!” E é assim que a liquidação, desde 1971, instaurou-se no box do homem que diz-se parente próximo do finado presidente Figueiredo. E deve ser.
Vale a visita. Vale os 12 litros de água que você provavelmente irá beber por dia. Vale os R$10,00 que você pagará a mais pelo ar-condicionado do quarto do hotel ou pousada. As ruas à noite, a tranquilidade, a ingenuidade, a pureza e simpatia do pessoal. As histórias e a boa-vontade que te acolhe e se deixar, o dedo de prosa e histórias que contarão com a maior naturalidade.





