Estou
mais velho.
E isso significa
obviamente que os
mesmos pensamentos
à todos me é comum:
devo estar mais
paciente, ter
progredido e a
cultura me atraiu.
Estar mais velho
me remeteu ao passado
um tanto longíquo
de que antes eu era
poeta e romântico
incurável e que minha
vida estaria fadada
ao amor incontido e
infinito. E estar mais
velho me percebeu que
perdi um pouco da
prática poética
incandecida que
metricamente me
aliviava o amor.
Há muito amor
naquelas poesias,
incontestável isso!
Mas aquelas métricas
absortas extraviei
e nem dei par de que
isso era a única
contextualização
amorística que
tive. E o qual
sentimento o
substituiu, se
é que substituiu?
Ainda é a conversa
de que sou o proclame
explícito de minh'alma,
a quantificação de um
eu grandioso e
explêndido. É o
mero discurso
de de um outro
alheio que
a mim foi, um
fragmento interior
de vida pura. Com
a idade, aquele
retrógrado sentimento
de nunca saber o
que é realmente
perdeu-se e não
me deixou triste não.
São fragmentos que
nem sequer percebem-me
como dono, tamanha
distância comeu as
beiradas — o que me
amedronta. Outras
genialidades que
nem quero ter
sido eu
o autor.