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Typewriter

18 de julho de 2007

            Estou
         mais velho.
       E isso significa
     obviamente  que  os
    mesmos  pensamentos
   à todos me é comum:
   devo estar mais
   paciente, ter
    progredido  e  a
     cultura  me  atraiu.
       Estar   mais   velho
         me remeteu ao passado
           um   tanto  longíquo
            de que antes  eu era
            poeta   e   romântico
           incurável e que minha
         vida  estaria  fadada
       ao amor  incontido  e
     infinito. E estar mais
    velho me percebeu que
   perdi um pouco da
  prática poética
  incandecida que
   metricamente me
    aliviava o amor.
      Há  muito  amor
       naquelas  poesias,
          incontestável isso!
            Mas aquelas métricas
              absortas  extraviei
               e nem dei par de que
                 isso  era  a única
                   contextualização
                     amorística  que
                       tive. E o qual
                         sentimento o
                          substituiu, se
                         é que substituiu?
                        Ainda é  a conversa
                       de que sou o proclame
                     explícito de minh'alma,
                   a quantificação de um
                 eu grandioso  e
               explêndido. É o
             mero discurso
           de de um outro
         alheio   que
        a mim foi,  um
        fragmento interior
         de vida pura.  Com
          a   idade,   aquele
           retrógrado sentimento
            de   nunca   saber  o
              que    é   realmente
                perdeu-se    e   não
                  me deixou triste não.
                     São  fragmentos  que
                       nem sequer percebem-me
                           como  dono,  tamanha
                              distância comeu  as
                                beiradas — o que me
                                 amedronta. Outras
                                 genialidades que
                                nem quero ter
                               sido eu
                            o autor.
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