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Cuidado ao criar alter-egos

6 de outubro de 2007

Etelvino criou um alter-ego louco. O personagem é metade do que já foi — seja lá o que tenha sido — e que, no final das contas, não era muita coisa. O novo-alter se intitula franzino e se projeta como um homúnculo, com um coração do tamanho de uma semente de pau-mulato e dois rins de feijão carioquinha. Esse alter-homenzinho veste um terno Allain Brenauldt todo abrancalhado e com um vistoso lenço vermelho no bolso. Gravata de um grená de flandres e ornado de flores-de-liz em fio de penteado dissonante. O personagem-ego atribui sua miséria e desgraça existencial ao estranho fato de ter nascido num dia primo de um mês ímpar em um longíquo ano bissexto secular.

O avatar tem umas duas ou três músicas que repete obsessivamente na memória, e mesmo assim, só alguns trechos. Ele também tem pensamentos paranóides mas não os assume nem fodendo. Está na fina linha entre F:2.8 e F:22. O personagem-aquém anda se misturando com gente má. E Etelvino nem se dá conta.

Esse alter-dominante acorda pela manhã já pensando na noite, em duas hipotéticas verves: um, na hora em que vai voltar pra casa e dormir ou, dois, nas vagabundas do bar, que insistem em rejeitar suas propostas de sexo porco.

A infelicidade tragicômica é que Etelvino pensa que sabe o que está acontecendo, ou melhor, tem certeza.

E todos os outros-egos alter-rejeitados outrora se dão conta de uma infeliz coincidência: a cada alter-criado, um perfeito-ego mais forte e preciso domina o oco Etelvino.

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Um comentário para “Cuidado ao criar alter-egos”
  1. McPhysto

    outubro 8th, 2007 at 9:25 pm

    É… esse é o tal do “Second Life”, né não?