A TELEFUNKEN DOS OLHOS AMENDOADOS

quarta-feira, 10 de outubro de 2007 | 1:30 pm

Eu preciso de um pouquinho de paciência. Da sua paciência, para ser bem exato. Preciso que você se acomode, relaxe e se acostume. Sossegue sua alma, sua busca frenética por algo que nem você sabe direito o que é.
Aliene-se.
Quero que você aceite essa bela reprentação de época, bem em seu focinho.
Com a prática tudo fica mais fácil: aceitar a não-ficção da realidade bestial? Pôxa vida, que tranquilidade! Seus pais jamais reclamaram quando o cinzento dos antigos televisores imperava; estavam maravilhados demais com o que tinham, jamais julgavam possível um arco-íris eletrônico.
Agora as caixetas plásmicas teimam em capturar as paisagens, pintam com pincéizinhos colorizantes e embrulham em diversificadas estações para um belo motivo: acalmar você, que, por obséquio, deveria estar acomodado lá na poltrona do papai, semi-babante.
Acalme-se. Acabe por se iludir e considere que essa atual sofisticação de revolução visual como sua própria realidade fielmente transportada.
Ao menos esta convicção fará com que você interrompa este intrépido viver e deixe intacto um bom pedaço de mundo para os que colhem a realidade com retinas de carne. Leve as plásticas flores artificiais achando que colheu genuínos jasmins do campo, perfumados, perfeitos.
Mesmo porque cada flor real colhida do nosso jardim secreto, cheiroso e verdadeiro é um televisor a mais no mundo.
Desligado, é claro.
Aliene-se.
Quero que você aceite essa bela reprentação de época, bem em seu focinho.
Com a prática tudo fica mais fácil: aceitar a não-ficção da realidade bestial? Pôxa vida, que tranquilidade! Seus pais jamais reclamaram quando o cinzento dos antigos televisores imperava; estavam maravilhados demais com o que tinham, jamais julgavam possível um arco-íris eletrônico.
Agora as caixetas plásmicas teimam em capturar as paisagens, pintam com pincéizinhos colorizantes e embrulham em diversificadas estações para um belo motivo: acalmar você, que, por obséquio, deveria estar acomodado lá na poltrona do papai, semi-babante.
Acalme-se. Acabe por se iludir e considere que essa atual sofisticação de revolução visual como sua própria realidade fielmente transportada.
Ao menos esta convicção fará com que você interrompa este intrépido viver e deixe intacto um bom pedaço de mundo para os que colhem a realidade com retinas de carne. Leve as plásticas flores artificiais achando que colheu genuínos jasmins do campo, perfumados, perfeitos.
Mesmo porque cada flor real colhida do nosso jardim secreto, cheiroso e verdadeiro é um televisor a mais no mundo.
Desligado, é claro.





