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O prefeito maior

17 de julho de 2007

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O velho prefeito falido da cidade moribunda ganhou, enfim, a estátua de bronze que sempre almejara.

Era sonho saborear, mesmo que finado e desejo mórbido, seu busto ao lado do Padre Estrôncio e Dona Catifunda. Ora ora, era um “sair da vida para entrar na história”. Bem mequetréfe, convenhamos. Mas era.

Admiração só dos pombos, que o redecoravam com uma alvura fedegosa.

Dos seus olhos opacos vista apenas das prostitutas, dos velhos gagás, da molecada traquina dos pelotassos.

Não o desejaria, busto de bronze da praça decadente. A polenteira tinha busto, o mandatário chacinento tinha busto. Até a Filandrinha do Rococó tinha um busto de praça decadente.

Bateu-se em todas as portas da inquietude, falou algruras de criadores e então o silêncio, que implacável o criara, sorriu de canto de boca bangela a estatueta oca de bronze de terceira, um suspiro murchante que o quebrou no joelhinho da esperança desacreditada.

É, estátua de busto de prefeito escorrido, tua ganância te fagocitou.

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2 comentários para “O prefeito maior”
  1. Eric

    julho 17th, 2007 at 4:21 pm

    Deveras do caralho.

  2. McPhysto

    julho 17th, 2007 at 11:33 pm

    Se o bronze era de terceira, pombas o bombardiavam e moleques traquinas praticavam tiro ao alvo com seus pelotassos, deve ter sido eternizado por um breve perído…