A VELHA CIDADE (E O VELHO)

quinta-feira, 12 de julho de 2007 | 4:23 pm


O velho, cheio de preocupações, era vencido: chovia, ele resfriava. Um resfriado qualquer, ele gripava. Fazia calor, ele brotoejava. Tosse? Quase perdia os tubérculos.
Era bonachão, mas depressivo-sintomático-problemático. Vivia o lado triste da vida.
Sabe aquelas pessoas pessimistas, as do copo meio vazio?
Pois bem, esse velho infeliz.
Belo dia ele entendeu que a cidade havia envelhecido com ele. Xuringavam as rugas como as dele. Entortavam as colunas dos prédios como a coluna bico-apapagaiada dele.
A cidade acinzentou, mofou os cantos e encardiu.
— Cidade tórpe — resmungava. Não soube viver com dignidade. (Como se ele vivesse.) Entre parênteses.





