Lá no Reino-de-Não-Sei-Onde existia um rei muito excêntrico. Ele adorava suas posses, prezava pelo poder absolutista e ainda por cima detinha um peculiar harém de 128 mulheres ruivas. Sua vida era muito tranqüila. Matou todos os inimigos que atravessaram sua frente. Tinha uma agenda cultural elitista e bailes nunca faltaram em sua corte.
Agora uma coisa que era segredo muito bem guardado era a fonte de juventude de sua majestade, o rei do Reino-de-Não-Sei-Onde.
Todo dia o majestático rei — de posse de seu cálice de ouro maciço — visitava suas ninfas ruivas. Olhava nos olhos de cada uma, por minutos. Um olhar forte e intenso que inusitadamente vertiam algumas lágrimas, colhidas no cálice.
Ninfa-a-ninfa, tete-a-tete. Aquele rei enchia meia taça de lágrimas de mulheres ruivas em pouquiíssimos quartos de horas.
E essa era sua fonte de juventude, um ritual de inigualável prazer, a degustação das lágrimas das suas ruivas.
Tempo se passou e o rei morreu. As lágrimas eram elixir da juventude, não proviam uma vida eterna, oras!
Velando seu corpo no grandioso salão das abóbodas doiradas, as 128 mulheres.
Estavam chorando.

