BEAUCOUP

segunda-feira, 1 de outubro de 2007 | 3:03 pm

Na pequena mesa do barzinho legal, os seis amigos degustam chopp lavado e torresmo com fiapinhos de pêlos. A loira — com o braço peludo do Amaral atravessado em seu ombro — tem uma pinta no rosto que mais parece um bezourinho: “Katrielly, dois éle e ípsolan.” tá.
O Bezerra, ruivão metido do carro importado, leva um papo com uma indiazinha que achou na mesa 3: “Comprar carro novo? Pff. Bom mesmo é essa bê-eme antigona. Luxo e sofisticação por preço de popular.”
A loira da pinta-bezourinha sorri para Bezerra. O clima esquenta, os ânimos avançam 3 pontos na bolsa.
Ruivão pigarreia e se pôe a declamar um sonetinho da sua nova safra desapegada:
Katrielly faz rom-rom de gatinha. O braço do Amaral pressiona com imponência. Estalos de dedos. Alargamento da fensa labial em bons 3 centímetros.
O gordinho pandu da cadeira mais afastada, qual o nome dele… Emoeb! Egípcio, adendum. Emoeb bebe um bom gole de chopp quente e sem espuma, suspira, tremilica a boca:
“Não é seu.”
“Como!?”
“Tá no filme do Godard, aquele que Sarney fudeu. Je Vous Suis Marie. Quer dizer, nem sei se é esse o nome mesmo, e nem sei se a poesia é do Godard. Mas tá la no filme. É que de francês só sei falar beaucoup e ô, que significa agosto. ”
Amaral despassa o braço por volta da mocinha e tamborila um quaisquarigudum na mesa. Um fusca canta pneu na esquina, todos se assustam. A loira passeia dois dedinhos pela borda da tulipa. Silêncio.
“O certo é Je Vous Salue Marie.” Seco. Bezerra tenta resguardar um reconhecimento. Cenho franzido do Emoeb. Novamente um longo silêncio.
Bezerra lambe os lábios e olha para o amarelo lavado do chopp. Merda de dia. Desça logo, ingrato.
O Bezerra, ruivão metido do carro importado, leva um papo com uma indiazinha que achou na mesa 3: “Comprar carro novo? Pff. Bom mesmo é essa bê-eme antigona. Luxo e sofisticação por preço de popular.”
A loira da pinta-bezourinha sorri para Bezerra. O clima esquenta, os ânimos avançam 3 pontos na bolsa.
Ruivão pigarreia e se pôe a declamar um sonetinho da sua nova safra desapegada:
O que sôis então a carne em si mesma, encimesmada?
Poder-nos-emos regozijá-la e sorver alhures desgostos
Ou vê-la-emos ébria tropegada num corrégo
Ou desfalecida-nuda jaz
O mundo retém o mundaréu carnal
Tal e qual a vitrina do fetil abatedouro
Brilho de velas em tardio inverno
Da mais rôta que carregada em casa
Acesa a brilhar
Dela podemos nos confortar em prazer.
Katrielly faz rom-rom de gatinha. O braço do Amaral pressiona com imponência. Estalos de dedos. Alargamento da fensa labial em bons 3 centímetros.
O gordinho pandu da cadeira mais afastada, qual o nome dele… Emoeb! Egípcio, adendum. Emoeb bebe um bom gole de chopp quente e sem espuma, suspira, tremilica a boca:
“Não é seu.”
“Como!?”
“Tá no filme do Godard, aquele que Sarney fudeu. Je Vous Suis Marie. Quer dizer, nem sei se é esse o nome mesmo, e nem sei se a poesia é do Godard. Mas tá la no filme. É que de francês só sei falar beaucoup e ô, que significa agosto. ”
Amaral despassa o braço por volta da mocinha e tamborila um quaisquarigudum na mesa. Um fusca canta pneu na esquina, todos se assustam. A loira passeia dois dedinhos pela borda da tulipa. Silêncio.
“O certo é Je Vous Salue Marie.” Seco. Bezerra tenta resguardar um reconhecimento. Cenho franzido do Emoeb. Novamente um longo silêncio.
Bezerra lambe os lábios e olha para o amarelo lavado do chopp. Merda de dia. Desça logo, ingrato.





