MUSICALIDADES

quarta-feira, 25 de julho de 2007 | 12:12 pm

Na verdade, hora que tocou a música foi que percebeu-se, realmente, que tudo acabara.
Era uma música leve, calma — triste por sinal. O breve devaneio de música “nossa” foi engolido por uma melancolia triste e insensata. E quanto mais e mais a música se repetia, mais a sensação de que perdia aquela mulher de olhos profundos e brilhosos tomava força de uma dor fisica inexplicável.
E nada poderia sequer nos separar. Tínhamos até uma música própria, nada poderia.
Aquele apartamento cheio de pratos bonitos, uma decoração impecável, seu gosto por chocolates e sua gatinha de estimação. Gata louca, ela sempre dizia. E ainda dizia que era fascinada por canhoto. Gostava de ver soluções práticas gauches para cotidianos destros.
E tudo isso acaba por ser irreal demais. É claro que a música na lembrança deu, por um certo momento, a ilusão de que nada realmente acabara. Ela continuaria a chamar aquela gata de louca.
Mas aí o saxofone em si bemol melancólico selou qualquer outra idéia vazia. Talvez aquela última fitada mostrara um brilho nos olhos daquela mulher. Talvez estivessem apenas úmidos.
Mas era mais provável que a umidade estivesse, na verdade, nos olhos dele.

Aquela música que tocava remetia ao último namoro. Era a “nossa” música.
É claro que ao escutá-la instantaneamente veio à tona aquele romance muito bem vivido, momentos em que escutavam e riam junto. E relembrar momentos com uma música simplesmente é terrível.
Terrivel porque também a tristeza que se sucedeu daquele relacionamento foi angustiante.
E a música que era “nossa” e deixava feliz, também deixava triste. E infeliz.
A música acabou. Estava sem fazer nada, inerte na cadeira.

E a música tocou novamente e novamente lembranças felizes. E a música ficou no repeat. E novas lembranças de lembranças novas misturavam-se a voz daquele que embalava “nossos” sonhos. E a tristeza, a infelicidade e as boas lembranças misturavam-se, mas não conseguiram tomar razão desta vez.
Era uma música leve, calma — triste por sinal. O breve devaneio de música “nossa” foi engolido por uma melancolia triste e insensata. E quanto mais e mais a música se repetia, mais a sensação de que perdia aquela mulher de olhos profundos e brilhosos tomava força de uma dor fisica inexplicável.
E nada poderia sequer nos separar. Tínhamos até uma música própria, nada poderia.
Aquele apartamento cheio de pratos bonitos, uma decoração impecável, seu gosto por chocolates e sua gatinha de estimação. Gata louca, ela sempre dizia. E ainda dizia que era fascinada por canhoto. Gostava de ver soluções práticas gauches para cotidianos destros.
E tudo isso acaba por ser irreal demais. É claro que a música na lembrança deu, por um certo momento, a ilusão de que nada realmente acabara. Ela continuaria a chamar aquela gata de louca.
Mas aí o saxofone em si bemol melancólico selou qualquer outra idéia vazia. Talvez aquela última fitada mostrara um brilho nos olhos daquela mulher. Talvez estivessem apenas úmidos.
Mas era mais provável que a umidade estivesse, na verdade, nos olhos dele.

Aquela música que tocava remetia ao último namoro. Era a “nossa” música.
É claro que ao escutá-la instantaneamente veio à tona aquele romance muito bem vivido, momentos em que escutavam e riam junto. E relembrar momentos com uma música simplesmente é terrível.
Terrivel porque também a tristeza que se sucedeu daquele relacionamento foi angustiante.
E a música que era “nossa” e deixava feliz, também deixava triste. E infeliz.
A música acabou. Estava sem fazer nada, inerte na cadeira.

E a música tocou novamente e novamente lembranças felizes. E a música ficou no repeat. E novas lembranças de lembranças novas misturavam-se a voz daquele que embalava “nossos” sonhos. E a tristeza, a infelicidade e as boas lembranças misturavam-se, mas não conseguiram tomar razão desta vez.





