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Insolentes, ele e ela.

11 de julho de 2007

Ambientada hoje em dia, com quaisquer dois amores que vivem do amor, o ódio.

O arrependimento beijou na boca ele e ela. Fique claro que não é pelo tempo gasto em todos os ensaios de todas as coisas que disseram. E que mais tarde, invariavelmente, ele e ela tiveram de desdizer. Nem pelos versos complexos e belos que lidos e ouvidos e que jamais encontraram razão e entendimento. Não fôra pela primeira briga que socaram-se até dizer chega, tardes de sonhos e amores, nem das noites frias de aconchego na valetinha do braço.

Nada disso.

A solidão dele e dela vêm de uma coisinha simples e que de nada era certa: arrependimento do não feito:

  • Ele lembra do mundaréu de mensagens silenciosas, às vezes apenas uma respiração, na secretária eletrônica.
  • Ela jogou fora algumas cartas que ele escreveu. Pouco provável que tenha achado que era publicidade, vá saber. Sequer leu. Cartinhas transbordades de um sentimento lindo e intenso. Mal escritas e com uma letra garranchenta.
  • Ele, novamente. Nunca impôs vontade. Contrariava sempre o sentimento que era para ser eterno. E aí, por essa razão idiota, nunca foi.
  • Ela, arrependeu-se agora.
  • Ele, bebe a dor em goles etílicos.

Aí ele e ela arrependiam-se, mutuamente. Ele, por estar presente em algumas situações esdrúxulas na qual a presença não era exatamente uma necessidade. Ela, por sua vez, sentia que fôra ausente e alimentava a certeza de que a ausência — por mais que consentida — era cinza.

Ele arrependeu-se, não dos sonhos que teve, não pela bela música que ouviu, nem pelo poema manco que escreveu, Mas sim dos sorrisos lançados, dos beijos que deixou roubar, das palavrinhas mudas que de olhares se formaram, sempre.

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Ela sabia, desde o ínfimo instante em que seus olhares encontraram-se pela primeira vez, que haveria um adeus. Estranho isso.

Ele sabia que toda despedida definitiva estava presente em cada “até mais”, “tchau” e “eu te amo”.

Arrependia-se agora, ele por haver colocado à prova o próprio coração, ela por haver cometido tantas loucuras, ele por haver acreditado que um único momento seria capaz de transcender todos os limites impostos pelo tempo e pela distância.

Ela estava arrependida. E sofria ao perceber o crasso erro cometido pelo destino, ao ter colocado em seu caminho a pessoa certa, na hora errada.

Ele estava arrependido. Sofria por saber que, uma vez que foi assim, a hora certa nunca mais tornaria a abraçar aqueles dois babacas sentimentais.

— Fodi com meu amor, ela disse para o barzeiro.
— Amor é uma bosta, reclamou ele para ninguém.
— Compliquei um sentimento que é simples e delicado, balbuciou ela.
— Amor é uma bosta! Exclamou ele, sem acreditar na própria verdade.

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