O EXISTENCIALISMO OTIMISTA

quinta-feira, 1 de novembro de 2007 | 4:36 pm

Keeping an eye on the world going by my window
Taking my time, lying there and staring at the ceiling
Waiting for a sleepy feeling
Como se o lobo comesse inteiro o homem que em si cohabitava. Talvez a humanidade não tenha sido feito pra felicidade.
Como um antigo que sempre dizia que não “portávamos a informação genética” para aceitar a idéia do infinito, talvez tal pricípio se aplique à idéia que temos do bonheur.
Infindável tristeza.
Para alcançar a prática da felicidade, o homem deve — sem dúvidas — transformar-se fisicamente. Tal mudança passa a pôr em jogo a própria existência do espírito. Para ascender ao estado final das coisas, o corpo deve estar saturado de contentamento e de prazer, na qual toda inquietude é abolida.
O que se tem hoje é apenas uma idéia vaga, imprecisa e, principalmente, nociva desse elemento vital.
E a impossibilidade da existência carnal infinita é o fim de toda a imortalidade. É o materialismo, rôto, escarnecido. O ateu que sofre da crise de menosprezo, da amargura da solidão. O sentimento de alma que o corrói e expele o gozo de que algo mais existe e o atormenta. O próprio corpo, preciso, forte, lúcido e preparado, independente que se faz, sente essa presença coexistente.
É o desespero de ter que acreditar que um Deus exista.
E aí toda a felicidade que dantes esquadrinhada a se alcançar, solito e independente, molda-se em pedacinhos de fé indissolúveis. Chama essa força sei-lá-de-onde de qualquer coisa: alma jamais. Deus, criador ou outra coisa, jamais.
E o corpo materialista e cético se odeia por esses lapsos piscantes de alma etérea.
Desespera-se.
E você nem imagina o quanto.





