segunda-feira, 17 de setembro de 2007 | 5:23 pm
Segundo álbum da série que coleciona váríos fotogramas aleatórios e sem temas definidos, reunidos em uma balaiada disconexa e elegante.
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segunda-feira, 17 de setembro de 2007 | 5:20 pm
Uma viagem qualquer para um casamento a mais. No convite, estampado o nome dos noivos. Cidade de interior, cidade natal, casamento de movimentar paróquia. Sabia que não seria uma viagem a mais. A sensação de que encontraria surpresas e novidades era grande.
Fazia tempo que eu não circulava sozinho por aquelas ruas estreitas e de pavimentação precária. Sozinho mesmo, relembrando em cada lugar a aventura e desaventura de viver sem pretensões.
Encontrei meu passado vivo na festa do casamento. Amigos de quase todas as minhas fases. Pessoas hoje maduras, sérias, casadas. Filho no colo! O que era o Lenhador! Uma das últimas personalidades da minha infância que esperaria casar. Casou! Uma namorada do longíquo ensino médio. “Oi Rudy! Como você cresceu!” Sim, o que mais escutei foi isso. “Como você está diferente!” Outra amiga com uma criança no colo, contava-me as suas histórias “Este é o Pedro, meu filho de um ano!” Ah, como aquela sensação me era estranha e nova! Meus amigos agora com a seriedade de uma adultez estampada nas faces! Alianças douradas nos dedos, praticamente todos à minha volta com uma consciência demasiadamente boa.
“E aí Lenhador, e aquelas trilhas doidas? ainda existem?” Era o que nos restava de um passado. “Não mais, Rudy. Depois que o Thiago morreu todo mundo acalmou…” Era verdade mesmo. Até eu parei nas minhas desaventuras. “E o pessoal hein, quem diria, todos casados!” A frase pareceu óbvia demais para o Lenhador. E era verdade para mim. Não esperava tudo isso.
O que mais escutei nesta festa foram perguntas sobre minha vida. Longe de tudo e todos, velhos conhecidos, outrora amigos meus, explicitos em uma curiosidade genial, queriam conhecer minhas aventuras. A vida em uma capital, empregos, amizades novas e amores. Ah, como as mulheres queriam conhecer meus sabores e dissabores amoristicos! Contei das vezes que fui assaltado, só para deixar todos felizes com a segurança da pacata cidadezinha de interior. As mulheres que apaixonei, as desilusões da solidão de uma metrópole. A chateação de um terno em uma segunda-feira chuvosa. O dinheiro fácil que deturpava meus sonhos. Drogas e amigos drogados! Esse ponto que atiçou a todos! “Você conhece pessoas drogadas é?” Sim, pacata cidade. Eu parecia um missionário encontrando as pessoas de um vilarejo isolado.
Foi uma festa deliciosa. Contei que iria casar e, breveta que sou, inventei uma noiva. E quando revelei isso, uma sensação de alivio tomou a todos ali. Era o que faltava para que eu integrasse novamente à uma rede social srtificial à qual não pertenço mais.
Achei que eu era o único da minha geração que almejava um casamento. E descobri que estava, na verdade, apenas seguindo o óbvio ululante. Atrasado.
É a vida.
segunda-feira, 17 de setembro de 2007 | 2:50 pm
Depois de muito refletir, estava de mãos dadas com o destino que acabara de gargalhar, ao me ver perdido em desatinos: “É Rudy, seu destino é a solidão.”
Sim, meia dúzia de relacionamentos, finais bruscos e terríveis. Com certeza eu era o problema, e disso não tive dúvidas. Resolvi ficar triste e escrever poesias. Poeta triste é sensacional, já dizia meu avô: “Entristeça, mesmo que de mentirinha. Aí você vai ver o que é escrever uma poesia com a alma e o sofrimento digno de um amor ingrato!”
Estava em uma época de poucos amigos. Trabalho estável e lucrativo. Mercado novo, reuniões e comprometimentos. Universidade finalmente engrenada em um curso delicioso e fluente. Mas poucos amigos. Conhecidos e convenientes muitos, isso não tem como escapar. Porque de trabalho, estudos e vizinhanças convivi de aparências, sempre.
Decidi escrever. Escrever valendo, colocar em palavras as minhas angústias, solidões, medos e passados. Escrevia para meu computador. Depois de um tempo, para meu site pessoal, que acabou virando blog. Ah, era uma delícia escrever naquele espaço! Somente alguns amigos o liam, coisa bem íntima e pessoal. Contei muito da minha vida. Eram contos tristes, perdidos em pensamentos.
Apenas minha vida pedindo socorro.
A cada dia, lá eu me perdia em controvérsias e desatinos da minha imcompatibilidade vivencial. E assim me arrastei por longos meses. Problema que o site começou a ter audiência inesperada. Pessoal da universidade, amigos que há tempos não via, familiares. Todos meus familiares! Conheceram muito de mim por ali. E isso minou minha intimidade com o blog.
Mas uma coisa eu digo: aquele blog me salvou. Ao quinto dia do ano de dois mil e três. Mas isso também é história para outra tarde chuvosa.