MadCap.com.br é um blog pessoal. Um site onde pensamentos, fotografias, histórias, ilustrações ou qualquer outra coisa sem sentido é postada em uma forma cronológica. Só isso já explica tudo.

Arquivos do mês de setembro de 2007

Breve ensaio sobre o amor esperado

26 de setembro de 2007

Pedi pouco da vida, não nego. Saúde, um tantinho de sucesso, amor. É a tríade suscetível ao mundo que apenas sonhei. Ganhei mais do que pedi, simples assim, almejei errado. De saúde e sucesso não há segredos: cuidar e executar tudo com uma excelência perfeita, é o que tenho em mente e não há simplicidade maior. Quem sabe honestidade, deveras pensativo o assunto.

Agora do amor, amor é vagalhão em pensamentos e devaneios. Imaginei sentimentos, situações mil. E nenhuma chegou ao que hoje é amor que ao longe me pertença e com louvor me entrego. Amores que me são respostas autômatas de um pedido nada preciso.

Mas quem encontra razão em amores, não é mesmo?

O homem do cabelo grisalho

24 de setembro de 2007

“Você precisa ter conhecimento de uma coisa, nessa sua vida de merda que vive, meu caro.”

“Pois fale, homem!”

“Saiba que a velhice nunca é um processo individualista.”

“Entendi nada.”

“Quando você envelhece, o mundo te acompanha como um cão sarnento. E é nessa convivência de mendigo que você se dá conta — tardiamente — da formação cíclica que a sociedade toma.”

“Boa.”

“Quando jovem — como você é, agora — Tua idéia de mundo é bela demais. Tudo o que é novo para você passa a impressão de que é uma novidade para todos. E uma novidade como essa acaba por se tornar uma jóia rara em seus dedos, um bem valioso que vale a pena portar como uma insígne dos tempos. Problema é quando você está em um período da vida em que sua próle ou os amigos dos seus bambinos reviram e remexem o entulho poeirento e prendem nos paletózinhos de escola uma insígnia amassada e sem brilho, de um metal nodoso e oxidado. É nesse momento em que você, velhaco que é, olha para a felicidade deles e percebe, tardio e doloroso, que os invisíveis oxidados outrora eram, erroneamente, o ouro mais brilhoso que você tinha visto.”

“Prolixo demais.”

“Veja, meu caro: nada me surpreende, sendo eu, coerente. Nem aquelas luzinhas piscapiscantes dos efeitos dos filmes incríveis de Hollywood. Por mais ignóbil que eu possa ser, já reconheci toda essa rebuscada previsão da previsível evolução técnica que abundaria ali; Os efeitos especiais da minha infância fizeram meu queixo bater no chão, tamanha surpresa que me acomedeu. E por ter batido no chão, não tem como descer mais. E a cada mentira bem-feita e contada, sabendo eu que era toda embuste, meu queixo sobe um degrau.”

“Uma constante incredulidade, presumo?”

“Sim. A remota e solitária possibilidade para deslumbrar o velho aqui bate justamente com a decadência física, que mostrando um mundo estranho à minha rotina adulta, plena e capaz, ainda assim não há do que se maravilhar. Ainda mais se o velho aqui gozar dessa boa memória que ainda me há de pregar peças. Ela vai me avisar, tenho certeza, de que já enfrentei essa mesma seqüência idiotizada na minha juventude deslumbrada, porém em um sentido inverso e que me mostrará, ó céus, um final desconhecido já conhecido da vivência esmiuçada, e é por isso que velho algum, como eu, é feliz. ”

“Por que?”

“O meu mundo, um mundo velho de um velho qualquer já deixou de existir faz tempo. Sinto-me exilado em um território aquém. Um lugar sem anistia qualquer que me perdoe. Minha dispnéia dizimou meu passeio pela carreiro do campo; minha miopia embaralhou as luzinhas de vitrines que piscam como vagalumes despreocupados; aquela marchinha que eu cantava, hoje nem assovio mais: minha mente pregou uma peça e não tenho idéia do que era. Nada do meu rosto se inturgescer de suor da minha amante vespertina: agora, só espreito a brisa, que encaixota minhas rugas pelo bafo de um vento alísio.”

“Uma vida morta, acredito então.”

“Há! Longe disso, meu caro. Eu ainda regozijo por minhas fendas mentais, em um abismo secreto — como jamais poderia deixar de ser. Não quero assustar jovem algum com os horrores antecipados. Mas a certeza de que minhas memórias se deleitarão em trocar meu insígne estandarte de vilipendiosas vivências por um casaquilho rígido e impossível de desafiar. Um guardião de lembranças eternas e monótonas. Frias, como qualquer silêncio tem de ser.”

divisor

O homem de cabelos grisalhos levantou da bancadinha de concreto. O rapaz, que até então não conseguiu achar um desfecho cético para o embate filosofal, ajudou-o com um puxão ríspido e seco.

“Deslumbrante sua força. Quase arrancou meu braço, brutamontes.”

“Velho ingrato.”

“Vislumbrado.”

“Nefasto.”

“Alienado.”

“Cético.”

“Cagão.”

E assim foram, por uma descida irregular de paralelepípedos, os dois novos-amigos-odiosos. O velho, bravio e estregueta, por saber justamente que estava… velho. O jovem, apavorado e ansioso, por saber que, fazendo tudo ou não fazendo nada, no fim, estaria a abotoar o paletó rígido e amadeirado do esquecimento.

“A vida é uma merda, catzo.”

“Deveras.”

Dos outonos que se findam

18 de setembro de 2007

Dos outonos que se findam.

Álbum: Randomic Issue #2

17 de setembro de 2007

Segundo álbum da série que coleciona váríos fotogramas aleatórios e sem temas definidos, reunidos em uma balaiada disconexa e elegante.

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Casamento em cinco atos

17 de setembro de 2007

Uma viagem qualquer para um casamento a mais. No convite, estampado o nome dos noivos. Cidade de interior, cidade natal, casamento de movimentar paróquia. Sabia que não seria uma viagem a mais. A sensação de que encontraria surpresas e novidades era grande.

Fazia tempo que eu não circulava sozinho por aquelas ruas estreitas e de pavimentação precária. Sozinho mesmo, relembrando em cada lugar a aventura e desaventura de viver sem pretensões.

Encontrei meu passado vivo na festa do casamento. Amigos de quase todas as minhas fases. Pessoas hoje maduras, sérias, casadas. Filho no colo! O que era o Lenhador! Uma das últimas personalidades da minha infância que esperaria casar. Casou! Uma namorada do longíquo ensino médio. “Oi Rudy! Como você cresceu!” Sim, o que mais escutei foi isso. “Como você está diferente!” Outra amiga com uma criança no colo, contava-me as suas histórias “Este é o Pedro, meu filho de um ano!” Ah, como aquela sensação me era estranha e nova! Meus amigos agora com a seriedade de uma adultez estampada nas faces! Alianças douradas nos dedos, praticamente todos à minha volta com uma consciência demasiadamente boa.

“E aí Lenhador, e aquelas trilhas doidas? ainda existem?” Era o que nos restava de um passado. “Não mais, Rudy. Depois que o Thiago morreu todo mundo acalmou…” Era verdade mesmo. Até eu parei nas minhas desaventuras. “E o pessoal hein, quem diria, todos casados!” A frase pareceu óbvia demais para o Lenhador. E era verdade para mim. Não esperava tudo isso.

O que mais escutei nesta festa foram perguntas sobre minha vida. Longe de tudo e todos, velhos conhecidos, outrora amigos meus, explicitos em uma curiosidade genial, queriam conhecer minhas aventuras. A vida em uma capital, empregos, amizades novas e amores. Ah, como as mulheres queriam conhecer meus sabores e dissabores amoristicos! Contei das vezes que fui assaltado, só para deixar todos felizes com a segurança da pacata cidadezinha de interior. As mulheres que apaixonei, as desilusões da solidão de uma metrópole. A chateação de um terno em uma segunda-feira chuvosa. O dinheiro fácil que deturpava meus sonhos. Drogas e amigos drogados! Esse ponto que atiçou a todos! “Você conhece pessoas drogadas é?” Sim, pacata cidade. Eu parecia um missionário encontrando as pessoas de um vilarejo isolado.

Foi uma festa deliciosa. Contei que iria casar e, breveta que sou, inventei uma noiva. E quando revelei isso, uma sensação de alivio tomou a todos ali. Era o que faltava para que eu integrasse novamente à uma rede social srtificial à qual não pertenço mais.

Achei que eu era o único da minha geração que almejava um casamento. E descobri que estava, na verdade, apenas seguindo o óbvio ululante. Atrasado.

É a vida.

Ah! Internet safada…

17 de setembro de 2007

Depois de muito refletir, estava de mãos dadas com o destino que acabara de gargalhar, ao me ver perdido em desatinos: “É Rudy, seu destino é a solidão.”

Sim, meia dúzia de relacionamentos, finais bruscos e terríveis. Com certeza eu era o problema, e disso não tive dúvidas. Resolvi ficar triste e escrever poesias. Poeta triste é sensacional, já dizia meu avô: “Entristeça, mesmo que de mentirinha. Aí você vai ver o que é escrever uma poesia com a alma e o sofrimento digno de um amor ingrato!”

Estava em uma época de poucos amigos. Trabalho estável e lucrativo. Mercado novo, reuniões e comprometimentos. Universidade finalmente engrenada em um curso delicioso e fluente. Mas poucos amigos. Conhecidos e convenientes muitos, isso não tem como escapar. Porque de trabalho, estudos e vizinhanças convivi de aparências, sempre.

Decidi escrever. Escrever valendo, colocar em palavras as minhas angústias, solidões, medos e passados. Escrevia para meu computador. Depois de um tempo, para meu site pessoal, que acabou virando blog. Ah, era uma delícia escrever naquele espaço! Somente alguns amigos o liam, coisa bem íntima e pessoal. Contei muito da minha vida. Eram contos tristes, perdidos em pensamentos.

Apenas minha vida pedindo socorro.

A cada dia, lá eu me perdia em controvérsias e desatinos da minha imcompatibilidade vivencial. E assim me arrastei por longos meses. Problema que o site começou a ter audiência inesperada. Pessoal da universidade, amigos que há tempos não via, familiares. Todos meus familiares! Conheceram muito de mim por ali. E isso minou minha intimidade com o blog.

Mas uma coisa eu digo: aquele blog me salvou. Ao quinto dia do ano de dois mil e três. Mas isso também é história para outra tarde chuvosa.

Álbum: Randomic Issue #01

14 de setembro de 2007

Primeiro álbum da série que coleciona váríos fotogramas aleatórios e sem temas definidos, reunidos em uma balaiada disconexa e elegante.

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Ganhando um por fora

13 de setembro de 2007

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