MadCap.com.br é um blog pessoal. Um site onde pensamentos, fotografias, histórias, ilustrações ou qualquer outra coisa sem sentido é postada em uma forma cronológica. Só isso já explica tudo.

Arquivos do dia 22 de julho de 2007

Extremo

22 de julho de 2007

Do amor, fez-se uma saudade causticante. Quisera alguém que apenas uma amizade os unisse. Mas o desejo tornou-se presente em todos os momentos.

E amizade não quer desejar nada.

Do silêncio, apenas a delícia de entender e perceber a plenitude do gesto.

A vida sabe (e ignora) que amores espontâneos têm a tristeza inacabada em sentimentos. Aquele seu amar era perfeito, não tenha dúvida. Mas a solidão acompanha, ainda que em uma pequena valsa descompassada, a cumplicidade verossímil.

Disfarçar seria apenas postergar e postergar a perfeita dor, balanceada e magnífica, por extremos infinitos.

O telefonema da madrugada

22 de julho de 2007

Sou psicólogo, conselheiro e amigo do peito nas madrugadas. Só nas madrugadas. Abro meu escritório remoto sem fio toda meia-noite, quando as camas estão começando a esquentar e o pior, estão somente com uma pessoa solitária e amargurada.

E não muito raramente toca o celular. É uma amiga triste, que não acha razão de estar naquele estado. Outrora, amiga que brigou com namorado. E o escritório, digo telefone, não pára.

Madrugadas atrás a realidade plagiou a ficção Verrissimoniana. Telefone tocou, atendi. A voz aveludada, macia e suave, inconfundível. Conversamos sobre como a vida era injusta, como os homens são canalhas, como as mulheres são facilmente ludibriáveis. Papo dor-de-cotovelo mesmo. Ela queixava-se, eu dava razão. Massagem no ego para um bom resto de sono na madrugada da moça.

Este é o meu lado canalha, diga-se de passagem.

O interessante da história foi quando ela perguntou-me o que faria hoje. Rally, respondi. Alguns segundos de silêncio, outra pergunta: “Quem está falando?”

A voz dela era perfeitamente passável pela voz de uma amissícima. Por suposto a minha também. Problema que ela não era ela, se é que você me entende.

Toda a tranquilidade que moldei e remoldei no ego da moçoila foi ralo abaixo. Desligamos polidamente.

Madrugada passada ela ligou de novo. Disse que, apesar do engano, até que a conversa foi tenra e lisongeira. E conversamos mais.

Enganos do destino. Engamos acertados, diga-se de passagem.

A arte de amar

22 de julho de 2007

O redator de telemensagens era muito bom no seu ofício. Sabia escrever com maestria recados personalizados para as mais fantásticas e diferentes situações: amor, ódio, aniversário, desencontros, desculpas. Tinha sempre uma boa idéia, fato que o consagrou como “Rei das Telemensagens”.

Dia desses o Rei das Telemensagens estava triste e desolado: tinha encontro com a namorada nova — a qual estava perdidamente apaixonado — e não conseguia expressar suas sentimentalidades de jeto nenhum.

Percebeu que o amor o cegou.

Pior, o amor tomara seu reinado. Deixara-o irremediavelmente bobão.

Aquele amor maior

22 de julho de 2007

Era tido como certo que aquele relacionamento entre o rapaz-todo-avoado e a moça-certinha não iria para frente. Apesar das inúmeras diferenças, ambos tinham algo em comum: gostavam de carros, de livros, de fotos, do trabalho do moço e do conceituado lobby de pesquisadoira dela. Eles se gostavam. Ele pensava nela antes de dormir e ao acordar. Aliás, tinham muito em comum.

Eles eram síncronos.

Mas ninguém percebia esse tênue e perfeito detalhe.

É por isso que sempre dizem por aí que opostos se atraem. É a pura e melancólica preguiça de olhar a vida com outros olhos, os do conformismo.

Sonho

22 de julho de 2007

Sim, assim como sonho, amo sim. Amo porque amar é, como queira, outra espécie de sonho. Um sonho colorido, cheiroso e lento como a bruma. Sonhos diferentes, mas mesmo assim, sonhos bons.

Crescimento consciente

22 de julho de 2007

Sempre tive em mim variados estados de sensações. E as sensações, dominadas, pareciam menores e controladas, muito aquém das probabilidades em que a consciência agia.

Agora, sensações estas pequeninas e simplórias mudaram.

Maiores que minha consciência. Amplas, arejadas e independentes. E isso deixa os não-tão-grandes pensamentos mais exigentes. A consciência, tenta e tenta. Mas não há duelo. Sensações sempre são elegantes demais para simples desentendimentos infantis.