Arquivos do dia 06 de julho de 2007

R.VALENTINO


sexta-feira, 6 de julho de 2007 | 4:51 pm

Há locais difíceis de descrever. Uns porque não são em nada inspiradores, outros porque, precisamente pelo contrário, por serem especiais deveras, nos deixam a sensação de que tudo o que dissermos ou é pouco ou é excesso (e ambas as situações são igualmente negativas). Ou pior: que aquilo que aformamos é uma amálgama de clichês que já ninguém quer ouvir.

E é por isso que hoje, muito tempo depois de perceber essa conciência absorta é que conto a história dos meus locais seguros, honestos e reconfortantes.

Meu nome é R. Valentino. Admirável, eu sei. Acabei de ser entrevistado por Donald Guthwell, um dos gênios metamórficos e contemporâneos da internacional revista Économie et Affaires. Ao som de Medeski, Martin & Wood, ao vivo — é claro. Conversamos sobre economia, dólares, mulheres e as esquisitices mundanas. Exatamente como o protocolo de uma entrevista na Itália carcamana deve tomar corpo.

Ele foi embora. Aliás, a taquígrafa-secretária que ele trouxe à tira-colo engambelou meus pensamentos. Despediu-se com um “Ciao!”, a ragazza, de arrepiar a pantufa da nuca. Desapareci em segundos com um Listrac-Médoc da adega e duas taças. Sempre duas, nunca se sabe o que há por aí.

Todos se retiraram. As luzes se apagaram, as lamparinas tremeluzem como se o esforço hercúleo para iluminar o paçadisso fizesse honra por notar.

Aqui onde estou é a Sardenha. A Sardenha exclusiva e intocada, quero ressaltar. O lado virgem e inocente. O mar cor tem a cor da verde esmeralda, a inacessível vegetação mediterrânea, as rochas rosadas que roçam a areia branca em cada balangandar de ondas e os perfumes da murta e do lentisco exprimem a quintessência do exclusivo onde me hospedo. Um refúgio de relvado bem cortado, que desanda em degraus sobre a praia, limítrofe de um jardim com passadiço em madeira, um pouco arcada e empenada, que despontam como manchas imaculadas por entre o verde do pinhal e o azul do mar (que outrola chamei de esmeralda), levam-me para lugares longinquos.

A vida complexou-se muito ao meu redor. Recebi uma enxurrada luxuosa e cultural que às vezes nem noto-me mais na essência. Sei me portar à mesa e comer com mais de 28 talheres. Travo entendimento e discorro assuntos em meia dúzia de idiomas com um cretinismo vil. Degustei Lafite Rothschild´66 no Alain Ducasse au Plaza Athénée em 2001. Beijei uma atriz famosa, ano retrasado. E não foi por acidente.

Então deparo-me aqui, nesta suite gigantesca, a navegar por um pretérito perfeito.

Algumas fotos afanadas da internet, em páginas abandonadas, onde apareci fantasiado de múmia, com umas 10 ataduras de gaze. Ou quando atolamos um jipe velho no meio de uma fazenda no mais profundo e inabitado vale da nossa cidade.

Na página de um amigo que há muito tempo não converso (mas acompanho por uma rede social privada) apareço rindo. A lengenda dizia: “Velhos tempos que não voltam mais…”

Reticências…

Aliás, tenho nos meus favoritos do computador portátil uma lista interminável de velhos amigos. Acompanho-os de longe, na surdina, sem ser notado. Sei o passo de cada um, o ânimo, a vida social, pública e pessoal. Quem casou, descasou. Morreu.

Não consigo mais, e juro que tentei inúmeras vezes, voltar às velhas amizades.

Hoje vivem no passado, atualizado como um F5 refreshned, para que eu não esqueça.

Minhas amizades, hoje vinculações de caráter exclusivamente social, são ligadas por cifras, safras e comprometimentos: um preço que pago pela complexidade da evolução.

E toda noite vivo essa busca fantásmica pela internet. Às vezes procuro amigos que ainda não se conectaram. Não receberam convites para exporem as vidas na rede social. Não se cadastraram em servidores de grupos de mensagens. Não escrevem para diários virtuais. Mas busco-os diariamente, na esperança de que ingressem. Como uma sede por saber mais deles, sem que eles me vejam como um menino curioso à beira da cerca.

Descobri que a rádio lá da cidade do interior onde vivi, está na internet. Ao vivo. A programação continua a mesma. Final de noite e o clássico ‘Love Songs’ corta-me o coração com as baladinhas congeladas de 15 anos atrás.

Quer saber? Vou ligar para lá.


“Voltamos, ouvinte na linha quem fala?”

“Valentino!”

“De qual bairro, Valente?”

“Aqui da vila sardinha!”

“Qual a música e para quem?”

“Toca aí What´s Up do 4 Non Blondes, dedico para quem quiser remoer o passado!”


A bela voz esganiçada e rouca de Linda Perry ecoa por meu imaginario, fazendo-me viajar por milhas e anos até a garagem da festa da vassoura em que eu beijei uma ex-namorada qualquer.

Há locais difíceis de descrever. Uns porque não são em nada inspiradores, outros porque, no final de todas as contas e ponderações, apenas existem no imáginário. E a cada dia monto-os e desmonto-os como bem quero. Cenários, complexidades, emoções. Um mundo companheiro, fictício e viciante, em minha pequena vida solitária. Que existiu um dia e como tudo mais, jamais voltará a ser a sombra do que já foi um dia.

O PESSIMISMO EXISTENCIAL


sexta-feira, 6 de julho de 2007 | 4:44 pm

Tem um monte de gente que acha que sou um babaca egocentrista ou um pessimista inveterado, um sujeito baixo e descriterioso que não gosta dos humanos só por não gostar mesmo. Birrento.

Então vou contar porque sou o cinismo em pessoa.

A verdade? Eu não me importo — e estou sendo o mais sincero possível — com o mundo cotidiano. O dólar subiu ou desceu? Não sei. O presidente conseguiu a reeleição? Parabéns para ele. Não quero saber se o governo boliviano roubou a Petrobras. Ela não é minha, não tenho ações dela. Não me interessa se o terror está deixando os americanos mais neuróticos. Pouco me importa se morrem 80 ou 120 pessoas em Bagdad, por dia, porque explodiu dois carros-bomba. A amazônia está sumindo em uma proporção incrível. Meus pêsames para ela. Fico apenas com dó dos orangotangos, elefantes e girafas que por lá moram.

Tentei, por dez anos, mudar o mundo. Juro! Fiz de tudo. Fui bonzinho, caridoso, atencioso, protestante, ativista, grevista, petista, comunista, vanguardista, causista, greenpeacisista, filantropo e atônito. E de nada resolveu. O mundo continuou cruel! Os muçulmanos continuaram a guerra santa. A fome aumentou. A AIDS matou mais do que deveria. Ajudei, bem ajudado, umas 30 pessoas, uns 5 cachorros, 12 árvores que nasceram dentro de um saco e invariavelmente morreriam sem minha intervenção. E quer saber? De nada adiantou.

O Brasil está uma merda. O povo brasileiro é a raça mais desgraçada que poderia existir. Odeiam a terra em que vivem. Mijam nos monumentos, apodrecem a pátria. Pasmem: alguns sabem cantar o “Star Spangled Banner” mas não sabem o que é o lábaro que ostentas estrelado. São americanos em pele de latinos. Veneram RBD, JayZ, J.Lo, 50Cent e desconhecem o maracatu atômico ou o cordel do fogo encantado.

É a placa ali no semáforo, mais cínica do que eu, que diz: “Esmola não dá futuro!” mais abaixo, em letrinhas miudas: “Não alimente o narcotráfico, o comércio ilegal de armas, o tráfico de escravos” “Não alimente os animais indigentes”

É o mendigo que não sabe seu próprio nome, data de nascimento, o que é, realmente.

É a mulher nojenta que ostenta a soberba incrível ao xingar o vendedor de panos alvejados na janela do seu carro blindado.

Hoje não tolero muita coisa, mas dou R$10 para um mendigo no sinal. Aliás, dei meu guarda-chuva bonitão, escocês, que me acompanhava há 10 anos, para um menino que estava na chuva. A cara de felicidade dele valeu muito mais do que qualquer sorriso humanitário que já existiu.

O mundo é marginal, meu filho.

Está caótico. Os bandidos são muito mais malvados do que você imagina. Não acreditam mais em Deus. Acreditam em um canela-seca enferrujado que botam na cintura. Os ladrões abrem seu carro em 3 segundos. Os larápios da internet secam sua conta bancária em 12 segundos. Os seqüestradores-relâmpagos passeiam a noite inteira contigo dentro do seu próprio carro e você não vai saber, ao certo, se sairá vivo ou queimado dessa merda toda.

Orkut para ver a desgraça que a vida das pessoas que conheci em um passado remoto se tornou. Aliás, como tem gente que não evoluiu patavina nenhuma!

Aliás, o Orkut tem uma comunidade que coleciona perfis de pessoas que morrerram. E quanta gente está lá, como urubus, esperando o próximo morto para desejar um “descanse em paz”!

As pessoas gostam de ver tragédias. Gostam de ver carros batendo. Gostam de ver gente morta. Curtem jornais-carnificina.

Pornografia. Putaria desenfreada. Sexo, drogas e rock no sentido mais lascivo e promíscuo. Mulheres-objeto, fotografias amadoras com as câmeras digitais em motéis furrépas de R$5 a hora.

Quanto mais, melhor.

Maconha e pinga para ficar doidão. E perder a realidade que pinica as ventas.

Essa é a humanidade de hoje.

divisor


Não escrevo mais como deveria. Talvez porque fiquei velho. Todas minhas histórias eram reais demais, e eu não sei mentir. Nunca menti. Sempre vivi da realidade crucial que beirava a verdade. E isso me matou justamente porque acabou minha experiência de vida. Apenas alguns pequeninos trechos cotidianos sobreviveram.

Meu videogame é mais expressivo. Minha coleção de DVD´s é mais expressiva. Meus desenhos morreram, minha criatividade espreita melhores dias. E espera com paciência.

Dias atrás pensei em mudar para um serviço de blogs gratuitos. Fiquei na eterna dúvida da dicotomia existencial blog gratuito X www.R$330-por-ano.com.br.

divisor

Bah, esqueça. Eu minto, e minto muito. A base da literatura é a mentira. A falácia, o desencontro real da vida presencial.

Eu escrevo muito. Adoro escrever, e isso é um processo bem desencadeado.

O problema é a realidade.

É a falta de discernimento entre o certo e o errado. Entre avançar e esperar a hora.

É a teimosia de tentar escrever ou desenhar coisa belas e inteligentes, enquanto a massa anda na contra-mão disso tudo, à sotavento, enquanto eu teimo barlavento.

Meu mundo é muito grande. Conheço toda a escuridão podre e fétida. conheço o feio, o subversivo, a morte que ronda todos, a corrupção, o suborno, os sete pecados capitais, os maconheiros, os traficantes. E conheço a luz, a seda, a alvura, o brilho do cabelo sedoso, a paz, o cheiro de banho tomado, a música compassada, a inteligencia, os bons costumes, o respeito e a ternura.

Ainda assim, gosto mais da bela vida justa e sincera.

Tenho esperanças, tenho fé, o que são, no fim das contas, coisas boas.

CARTA PARA POR FIM EM RELACIONAMENTO


sexta-feira, 6 de julho de 2007 | 4:25 pm

Dias atrás prometi que ajudaria aos 203 visitantes ocasionais que o Google despeja aqui no Blog a escrever “cartas de final de relacionamento”.

Não vou mais.

Não estamos mais no século XVIII, onde cartas lambrecadas à sinete faziam as vezes presenciais. Hoje em dia um relacionamento é bem mais dinâmico do que palavras escritas, meu caro. Precisa do charme do contato, da discussão cara-a-cara. Dos gritos, do chiliquinho.

Esse é o charme de um final de relacionamento!

A briga, o tapão na cara. A unhada no braço. O carro em disparada, rua abaixo. O “Eu te odeio!” grunhido por entre os dentes. A foto rasgada com uma ferocidade pecaminosa.

Final de relacionamento é a perfeita arte do fechamento do ciclo. A linha de corte do amor e da paixão. E não me venha dizer que pode existir uma amizade ou carinho depois. Isso é coisa de quem não tem maturidade.

Manutenção mensal? Fraqueza.

Trocar pneu em dia de chuva, para ela? Fraqueza.

Atender telefonema meloso em madrugada fria? Fraqueza.

PORQUE NÃO AJUDAR
Quem procura uma carta de final de relacionamento não tem discernimento do que escrever. Não deve nem saber porque está terminando, e o pior, não tem culhões para uma peleia passional. Postar uma bela carta aqui seria afundar no lodo mais ainda o vivente. O destinatário saberia dessa incapacidade e o atestaria da mais vil e insossa incopetência.

Conheci apenas uma carta muito bem escrita, por George Gordon Byron, datada de agosto de 1812, para meter fim em relacionamento com uma luva de pelica. Como ele era um notório putanheiro, não se sentiu bem em manter um relacionamento.

Culpou a sogra, é claro.

Agosto de 1812

Minha queridíssima Caroline.

Se lágrimas, as quais você viu e sabe que eu não estou apto a derramar, se a agitação na qual eu me separei de você, agitação esta que você deve ter percebido durante todo nosso nervoso caso de amor, não começou até que o momento de deixá-la se aproximou, se tudo o que eu tenho dito e feito e ainda estou muito pronto a dizer e fazer, não foi suficiente prova que meus reais sentimentos são e devem ser sempre para você, meu amor, eu não tenho nenhuma outra prova para oferecer.

Deus sabe que eu desejo você feliz e quando eu terminar meu relacionamento com você, ou melhor, quando você tomada de um senso de dever para com seu marido e sua mãe me abandonar, você reconhecerá a verdade daquilo que eu novamente prometo e juro: que nenhuma outra em palavra ou ação jamais tomará o seu lugar em minha afeição, que é e será mais sagrada para você até que eu não seja nada.

Eu nunca soube até aquele momento a loucura de - minha querida e mais amada amiga - eu não posso me expressar - este não é o momento para palavras - mas eu terei um orgulho, um prazer melancólico ao sofrer, o que você mesma pode quase conceber - pois você não me conhece, eu estou quase indo com com o coração pesado porque minha presença nesta noite deterá qualquer estória absurda que os acontecimentos de hoje poderiam ter levantado - você pensa agora que eu sou frio, severo e astuto - mesmo outros pensaram assim, mesmo sua mãe pensará - aquela mãe a quem devemos de fato muito sacrifício, mas muito mais de minha parte, do que ela jamais saberá ou possa imaginar.

"Promessas de não amá-la" . A! Caroline, são promessas do passado - mas atribua todas as concessões ao motivo adequado. E nunca pare de sentir tudo o que você já presenciou - e mais do que possa algum dia ser conhecido somente pelo meu próprio coração, talvez pelo seu . Possa Deus proteger, perdoar e abençoar vocês sempre e para todo o sempre.

Seu mais apaixonado
Byron

PS. Estas reprovações que dirigiram você para isto - minha queridíssima Caroline - foram não somente para sua mãe e a bondade de todas as suas relações. Existe qualquer coisa no céu ou na terra que me faria tão feliz como tê-la feito minha há algum tempo atrás? Não menos agora do que então. Mas mais do que sempre neste momento você sabe que eu com prazer desistiria de tudo aqui e tudo além do túmulo por você - e abstendo-me disto - devem meus motivos serem mal-entendidos?

Eu não me importo quem sabe disto e que uso é feito disto - é a você somente que eles devem, eu fui e sou seu livremente e completamente para obedecer, honrar, amar - e voar com você quando, onde e como você mesma poderia e pode determinar.


Entendeu como funciona? Você precisa ser muito, mas muito bom mesmo, para terminar um relacionamento apenas com uma carta. Precisa parecer muito mais honesto do que é, mais deprê do que aparenta e o pior, aplicar a delicadeza sensata que jamais se monstrou até então.

E, hoje em dia, quem procura carta de final de relacionamento não sabe nem por onde a galinha mija.

O LONGO CONFLITO SOBRE O QUE NOS CERCA.


sexta-feira, 6 de julho de 2007 | 1:02 pm

Voltei de avião para Brasília. Não chamaria nunca Brasilia de casa ou lar ou qualquer coisa que se referisse ao meu lugar. Não tenho mais raízes. Brasília, Timbuktu, Curitiba, Florianópolis, Vutuvuru dos Bento. Todas, um quintal temporário.

Virei um cidadão do mundo. Lá em cima, entre as nuvens que insisto em olhar da janelinha graxenta do avião, descobri que a razão não é mais temerária. As fronteiras vivenciais sobrepujam qualquer expectativa de fixar-se em algum lugar.

Neste carnaval, nada foi diferente. Viajei para o sul do país. Encontrei alguns amigos e meus pais. Nossa conversa evoluiu muito, deixamos de preocupações e vivenciamos a filosofia descompromissada.

Meu mundo não atrai mais a saudade. Meu caminho não é mais a ida e a volta, sequer existe a dinâmica de movimentos.

Apenas ando por aí. Um passeio com a certeza de que tudo se repete em um ciclo perfeito de prazer e alegria.

Tenho mais sorte hoje em dia. Encontro lugares, pessoas e situações que não acreditaria se eu contasse para mim mesmo, anos atrás.

A vida está cada vez mais complexa e inteligente. Ao meu redor, uma aura de proteção divina e uma exultação espiritual intensa. E isso tudo é apenas uma reação espontânea da vida, respondendo na lata quem eu sou, na verdade. Não consigo mais ver o lado ruim das coisas. Descobri que minha visão não era (e talvez nunca foi) perfeita. Tenho um tréco na córnea. Nem o nome eu lembro mais. Talvez eu tenha que usar óculos, lentes rígidas, quiçá fincar anéis de Ferrara no meio da minha íris ou transplantar uma córnea (”Mas não se preocupe com isso” disse-me a doutora).

E isso não me faz perder 1 minuto sequer de sono.

Meu mundo melhora a cada segundo. Exponencialmente, devo dizer.

Minha mulher é sensacional.

Gosto das minhas fotos.

E os pequeninos milagres alvissareiros recheiam de boas novas minha vida. Transformam-se em uma cúpula de sentimentos inalienáveis em volta desse mundinho de merda que muitos vivem sufocados.

Quer ser pessimista? Suma de perto de mim. Quer ser um materialista compulsivo? Suma. Tarado, infiel e insensato? longe, sivuplé. Não dependo mais de uma vida abusiva ou ancorada. O dinheiro é bom, mas vicia. O dinheiro bem gasto em ações inesperadas, é prazenteiro. Dinheiro não é pecado. Lamber os pêlos e as bolas dos bichos que o estampam é que é.

A vida é assim. Quanto mais complexa e intrínseca, mais simples ela é. Contraditória e inverossimil, inacreditável como toda vida deveria ser.

Como toda vida deveria ser.