MadCap.com.br é um blog pessoal. Um site onde pensamentos, fotografias, histórias, ilustrações ou qualquer outra coisa sem sentido é postada em uma forma cronológica. Só isso já explica tudo.

Arquivos do mês de julho de 2007

Fim da fase um

30 de julho de 2007

Acabou a fase um deste site. Cansei do passado. Deixemos o resto como deve realmente ser: esquecido.

Comecemos um novo mundo, agora.

Melhor escrito, aventurado.

divisor

Nossa bela época trasforma tudo em narrativa. A loucura evolui para um belo objeto de especulação formatado para cooperar com o sistema global de quantificação da natureza e, de repente, tocar em meus fones.

A tendência é enquadrar toda diferença em alguma categoria desviante e/ou pervertida e, assim, para todos os efeitos, aniquilá-la enquanto tal.

Segurança máxima.

Sem fuga.

Busque seu meio-eu

30 de julho de 2007

Sabe aquele detalhe que procuramos em alguém? Pois é, numa busca sem rumo, muitas vezes sem saber ao certo que detalhe é esse que tanto procuramos, mas que temos a certeza, um único detalhe, por mais singelo e pequenino que seja, faz toda a diferença.

Às vezes é difícil encontrarmos alguém que preencha todos os requisitos que o nosso coração, muitas vezes tão exigente, procura em um parceiro ideal. Estamos em constante busca pelo "par perfeito" quando na verdade deveríamos buscar apenas alguém especial.

Em algum lugar você espera por mim, ainda não me conhece, no seu inconsciente você já me ama, assim como te amo, os intrincados caminhos do destino não nos favoreceram, ainda, mas agora uma porta se abre e eu espero ansiosa que você entre por ela, se assim não for, nossas vidas serão sempre pequenas, vazias, incompletas e viveremos os dias na eterna indiferença.
Bonito, né? Mas não fui eu quem escreveu isso aí.

O texto acima foi compilado, frase a frase, de uma infindável série de anúncios virtuais de relacionamentos, onde mulheres estão procurando homens em sites de classificados pessoais.

E sabe qual é o perfil do troglodita que 99% destas mulheres procuram?

Não?

Vou te ajudar. A listinha abaixo também foi compilada desses anúncios. Apenas risquei da brincadeira tudo que se repetia. E olha que foram mais de cem reclames! veja aí o que você, ogro ranhento e peludo, precisa para ser um Casanova:

Uma pessoa que tenha caráter, homem que respeita a mulher e principalmente, um homem atencioso, inteligente, sensível e fiel. Uma pessoa em que se pode confiar em todos os sentidos. Que tenha honestidade, sensibilidade, bom humor (essencial), paciência e romantismo.

Bonito, com um corpo todo em cima, mas isso não é o principal, pois nem sempre a embalagem mostra bem o produto!

Um homem que complete sua amada, uma pessoa que realmente saiba amar e ser amado. Ativo, franco, verdadeiro, especial, sincero, carinhoso e que não esteja querendo apenas uma aventura ou sexo. Alegre, simpático, que goste de cinema, teatro, jantar à luz de velas.

Sim, que queira um amor sincero, alegre, com fidelidade e amizade. Que goste de passear, ir ao cinema, se divertir com amigos, vídeo em casa com pipoca e guaraná, que goste de viajar, que ame a natureza, goste de coisas simples, que proporcionem prazer e conforto. Seja vaidoso, bem cheiroso, e de dentes lindos.

Sirva para amizades, namorar, passear, e que saiba o que deseja da vida, que goste de viver intensamente.

Alguém para andar de mãos dadas no parque, dividir o chocolate, abraçar, beijar, amar, goste de sair para dançar, mas também que saiba aproveitar os momentos a dois.

Seja intelectualmente estimulante, fisicamente interessante, desencanado, deixa que seu próprio corpo produza todas as drogas de que necessita (ou pelo menos tenta!), anda lendo outras coisas além de legenda de filme americano, vê filme em preto e branco, vai ao teatro e não é para ver ator (nem atriz!) global.

Acha que a manhã foi feita pra dormir, tem coragem de terminar um relacionamento ao invés de sumir, que procura o verdadeiro amor, que não seja fumante , que goste de esportes, viajem e principalmente que goste de muito carinho.

Não goste de futebol, cerveja e amigos, um homem que realmente saiba dar valor a uma mulher, que esteja disposto a amar de verdade, sem mentiras, que seja sincero e fiel, decidida e com objetivos definidos, curta desde uma boa “balada”, até as coisas tranqüilas e ótimas para se fazer a dois.

Basicamente é isso. Parece meio complicado à primeira vista, mas com alguns anos qualquer homem acaba domesticado assim.

Agora os três quesitos mais essenciais, importantes e que constam em todos os reclames pesquisados são: Inteligência, sinceridade e romantismo. Parece viadagem, mas é a realidade virtual.

Vida revista

30 de julho de 2007

Avalio o que já fiz até hoje. Claro que me arrependo de inúmeras situações que poderiam ter mudado minha vida. Mas arrependeria-me de ter arrependido, pois algumas outras coisas não teriam existido. Foram frutos bons de situações ruins.

Foi o beijo que não dei, o beijo que dei. Palavras ásperas, profanadas com um orgulho bestial. Palavras doces, quando deveriam ser sutis e realistas. E-mails não respondidos, amores não correspondidos. O inóspito ignorado, o grito não dado, o sinal furado. O medo do futuro, a paciência do passado. A dor do “não” recebido em hora errada, a multa por velocidade.

Minha plenitude humana é baseada em retrospectivas e avaliações paramétricas da alma. E os fatos de maiores reflexões são os que aproximam a conturbada notoriedade de minha vivência, com a linha tênue da imaginação desejada! E assim vivo, revivo e reclamo constantemente.

Filosofia barata

30 de julho de 2007

Viajando um pouco na condição humana e na concepção metafísica do homem, hegemonismos e diferenças: o homem é um ser racional porque toma atitudes inteligentes, tem a capacidade de abstração e resgate de passado, condicionando o pensamento.

Tudo isso faz com que o homem tenha a condição adquirida de ser humano. Platão mostra a realidade material fundamentando a explicação além da natureza. Apresenta suas duas realidades, mundo físico versus mundo de idéias.

A essência humana é a razão.

O corpo humano é o cárcere da alma, a punição.

Paixão é tudo que ofusca a razão.

Por que há transcendência da alma pura do mundo de idéias, perfeito, original e pleno, para sua cópia imperfeita, o mundo físico limitado e imperfeito?

Ah, Dona Fifi

27 de julho de 2007

Feijão era catador de latas. Descendente de algum quilombo, estirpe negra, rapagão forte e alto.

Diariamente juntava uma carriola completa, a qual lhe rendia algumas lascas ao final do expediente. Com o tempo aprendeu a ficar amigo de donos de bares, os quais preferencialmente lhe davam latas já amassadas, facilitando o seu trabalho. Sabia até quais bares eram mais generosos, quais lhe serviam sobras graciosas de petiscos e afrescos diversos.

Sua labuta diária era rotineira. Sempre o mesmo trajeto, os mesmos barezinhos, a comida, generosamente granjeada. Uma vida bem pacata e morosa, por assim dizer.

Dona Fifi, uma ascendida social, residente de uma das finas coberturas que faziam contraste com a orla, interessara-se por Feijão. Todo dia observava o esbelto corpo delineado pelo braçal serviço. Sabia o horário em que aquela lenta carriola, carcomida pelo desgaste, religiosamente trafegava em frente ao seu caminho. Fifi, ansiosa, precisava parar aquele negrão. A cada dia que passava, maior e mais intensa era a sua vontade de possuir aquele conjunto!

Dia desses, chamou seus seguranças. Explicou-lhes o que deveriam fazer. Sem pestanejar, agarraram Feijão. É claro que os dois homens de terno, formados em alguma escola de segurança, renderam prontamente o gari que, sem pestanejar, foi levado junto de sua carriola à imensa garagem, entre luxuosos carros. Atônito e sem saber o que dizer, Feijão paciente esperava no que aquilo daria. Seqüestro, óbvio que não era. Tentava lembrar se havia flertado com alguma moçoila da região. Sabia que isso era perigoso. Não estava, no momento, devendo dinheiro à ninguém. Suas apostas no bicho eram religiosamente pagas em dia. Estava perdido, não sabia realmente o que acontecia ali.

Dona Fifi surge dentre os carros. Encara Feijão. Saca uma luva de pelica branca, nova. Com certo esforço consegue virar a carriola, despejando as inúmeras latas amassadas, ao chão. Começa vagarosamente a retirar o anel de alumínio de uma lata. Joga-a em um canto, o anel em uma caixa. E assim repetidamente foi, durante algumas horas. No final havia separado mais de cinco mil anéis prateados. Soltou Feijão, que sem nada entender, juntou as latinhas e foi embora.

Dona Fifi queria trocar os anéis de alumínio por uma computador.

As baronesas

27 de julho de 2007

Barão ganhou o apelido pelo duvidoso gosto em manter um bigodão fio-de-arame, com voltinha e tudo mais. E o que realmente fez a sua fama era a diversidade de mulheres as quais lhe acompanhavam. Mulheres sempre impecáveis, bonitas, de uma finesse e educação invejável.

Barão era figurinha carimbada em todo o tipo de evento, convescote ou festa. Com um jeito bonachão, seu sorriso era cativante. Sua presença, obrigatória: seus disparates, aterradores e únicos.

O que intrigava todos seus amigos era o fato de, um sujeitinho pequeno, feio e com um bigode encardido e carcomido pelo cigarro, pudesse fazer par com belas damas. E olha que vez passada até houve diálogo em francês com uma de suas divas. É claro que a curiosidade aflorava toda vez que o galanteador passava. Mas a hombridade e os culhões impediam todos de lhe perguntar o segredo da fama. Insinuações apenas o faziam soltar uma deliciosa gargalhada. Mas falar das mulheres, nunca.

E não era dinheiro, nem fama, tampouco a beleza. O barão era simples, funcionário de um armazém de secos e molhados. Poucos conheciam sua intimidade.

Vez passada não me contive e perguntei o seguredo das “baronesas”. Surpreendeu-me na resposta, após a já esperada gargalhada homérica. Ele simplesmente sanou a já desconfiada asserção: na zona. Sim, barão era costumaz freqüentador de casas de burlesco. Apesar do irônico comentário, que fez com que ninguém acreditasse na resposta, ele foi sincero. As mulheres o conheciam, e conheciam também a sua fama de arroz-de-festa. Elas brigavam para escoltá-lo. E Barão divertia-se. As putas divertiam-se. A finesse das raparigas advinham da excentricidade dos bons pagadores de serviços. A casa era fina.

E o Barão sussurrou, algum tempo depois, só para mim:

– Puta que não cobra, quer gozar.

Barão estava certo. Sempre de bom humor, sempre com mulheres espetaculares. Muito mais jovem que muito jovem gagá. Feliz na sua essência de ser.

A Variant amarela

27 de julho de 2007

Augustão era um pacato cidadão rural. Descendente de Alemães, tinha a pele avermelhada do sol, o que atenuava seu vasto bigodão loiro. Havia adquirido com muito gosto uma Variant amarela novinha. Como todo bom colono, instalara franjinhas no teto, bolinhas massageadoras no banco e trocou a bola do câmbio por uma de caranguejo, a do seu signo. Diariamente levava verduras para a cidade, subindo a serra vagarosamente. Acompanhado de sua esposa, Augustão fazia de seu estimado carro, sua forma de incrementar as vendas de suas verduras.

No começo do verão, sua produção de legumes bateu recorde. Vez ou outra precisava de duas viagens por dia para escoar todas as leguminosas, tamanho o fluxo vegetal. É claro que com esta fartura, Augustão pôde comprar um toca-fitas para a Variant, o que na época era capricho dos valiosos e velozes SP2.

E em uma dessas idas e vindas da cidade ao campo, Augustão, com toda a sua pompa, trafegava feliz por sua rota habitual. Dona Fifi, sua mulher, feliz por estar passeando, cantarolava baixinho a música do rádio. Neste sutil e raro momento, uma mosquinha-da-banana que estava no veículo, zanzou e entrou de forma estranha no ouvido direito de Augustão. Desesperado pelo zunir das asinhas, mas sem perder a calma, retirou do contato a chave, desligando o carro, que continuou em movimento, para assim catucar a intrusa entrincheirada.

É claro que o voltante travou, o freio acabou e o carro saiu da pista. O que se sucedeu foi inacreditável: A desgovernada perua invadiu o pasto vizinho à estrada, descida da serra.

Augustão, pedindo calma à dona Fifi, que com todas as suas forças agarrara-se ao console do painel e no putaoqueospariu, tentava em vão controlar a bendita Variant. A chave já havia caído metros atrás, no meio da balaiada. Com o volante travado, nada podia ser feito. O carro atravessou um pasto, recolheu as vacas na mangueira, passeou por mais umas plantações e estacionou em frente à casa do compadre Guilhermino. Por incrível que pareça, Nada acontecera de grave. Augustão, com toda sua pompa inatingível, desceu do carro, abriu o porta-malas e retirou duas cabeças de alface.

- Presente compadre Guilhermino. Estava descendo a serra e resolvi cortar caminho.

A mulher do vizinho

27 de julho de 2007

O Baltazar mora em um daqueles condomínios fechados onde cada um constrói a sua casa como mais lhe apetece. E como o estilo é americano, as casas não têm muros ou separações aparentes. Solteiro, simples, mas de carreira invejável, mora sozinho e desfruta das singelas sutilezas de uma vida a sós.

E o vizinho de Baltazar tem um mulher muito gostosa.

Ela sempre toma sol na piscina da casa do Baltazar. O marido, na estranheza de ser, nunca quis contruir uma para ela. E a cena sempre se repetia: Baltazar acordava, abria as cortinas de seu quarto e lá estava aquele monumento, tostando ao sol matinal.

É claro que as peças de banho ínfimas que ela usava tinham um descarado propósito provocativo. Sempre que ela se abaixava, fosse para pegar alguma revista, um creme, insinuava as maliciosas formas dos seios redondamente perfeitos. Passava branzeador de uma forma suave e insensata, apetecendo até olhos mais frígidos.

Baltazar surtava. Só não atacava aquela beldade pelo mínimo respeito que ainda restava ao seu vizinho.

Domingão desses, Baltazar curtia uma ressaca homérica. Deitado no chão, ao lado da piscina, resmungava baixinho, enquanto sua cabeça latejava, evaporando ao sol o álcool sorvido.

A vizinha surgiu do nada, sentou-se ao seu lado. Perguntara-lhe se poderia besuntá-lo de bronzeador. Ali, meu amigo, toda a relutância em não atacá-la fora água abaixo hora que ela encostou-lhe a mão com o óleo.

Os dois entregaram-se aos prazeres mundanos e carnais de uma forma espetacular. A vida de bon-vivant que Baltazar levava fez com que a mulher explodisse em um gozo intenso e imoral. Ficou bem evidente que ela estava há tempos na seca.

Baltazar ganhou a deliciosa vizinha. A Vizinha ganhou um amante insaciável. E o corno do vizinho continua a arrumar o computador do Baltazar de graça. Acha que assim não precisará construir uma piscina para sua tarada mulher. Tão cedo.